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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

CHINESICES

João Gonçalves 2 Ago 05

Apesar de Macau ser hoje uma "memória" para a maior parte de nós, o "enclave" continua a ser uma "certeza" para alguns de nós. Vale a pena ler este post - com continuação prometida -, de Paulo Gorjão, sobre (parte) (d)as misteriosas "vias" macaenses da política nacional, sempre de volta cada vez que o PS sobe ao altar do poder. Ainda do mesmo Paulo Gorjão, mas sobre um assunto completamente diverso, este post. Na realidade, Jorge Sampaio - não sei se voluntaria ou involuntariamente -, acabou por "tirar o tapete" vermelho que Soares tinha colocado para si próprio à porta de Belém, ao receber, em total discrição, Cavaco. É preciso explicar a M. Soares que a pior coisa que lhe pode acontecer - depois de dez anos de prestigiada magistratura suprema e de uma vida inteira de combate pela liberdade e pela democracia -, é abeirar-se perigosamente da fronteira do patético ou do ridículo. Nem ele nem o país merecem esse desleixo lamentável. Os amigos servem para isso mesmo, para ajudar a evitar lances dolorosos irreversíveis. Mesmo quando é só para os "ouvir".

ESTILOS

João Gonçalves 2 Ago 05

Ninguém soube, mas Cavaco Silva esteve esta manhã em Belém com Jorge Sampaio. Desde ontem à tarde, pelo menos, que se sabia que Soares ia lá de tarde. Ele fez questão que se soubesse. Mesmo quando, à saída, não tenha dito nada sobre um "assunto" que os jornalistas "já sabiam" qual era. Eles só estavam lá para o verem sair. Cavaco, pelo contrário, pediu expressamente para que audiência não fosse divulgada com antecedência. O estilo faz um homem. O espectáculo faz um estilo. É só escolher.

CONVERSAS COM OS LEITORES

João Gonçalves 2 Ago 05

Se os PSD querem, a todo o custo, enfiar o Cavaco em Belém, porque raio é que o PS e a esquerda toda não podem querer lá o Soares? Será que só a direita é que tem "direitos" neste país? (Anónimo)

Comentário: Eu não sou militante do PSD. Já fui. Eu não apoio M. Soares. Já apoiei. A "esquerda toda" nunca esteve com M. Soares. Bem pelo contrário. Quanto aos "direitos" da "direita", são idênticos aos da "esquerda". Nós não vivemos numa "democracia familiar".

Não percebo porque motivo o governo do PS não pode colocar quem muito bem lhe apetecer na CGD e os governos PSD podem (Clara).

Clara, algo me deve ter escapado: como é que deste post infere que o autor defende poder o PSD colocar na CGD quem muito bem lhe apetecer? (Luís)

Comentário: Está na pergunta do último leitor.

COMENTÁRIO...

João Gonçalves 2 Ago 05

... no Expresso "online" acerca da "visita do velho senhor": "Mário Soares desloca-se hoje a Belém. Já anda a ver casas? :)))"

JÁ AGORA...

João Gonçalves 2 Ago 05

... por que é que Mário Soares não "ouve" Cavaco Silva no seu "processo de reflexão", alguém com quem "conviveu" íntima e politicamente durante dez anos e que o conhece como ninguém? Ou Manuel Alegre, esse "grande amigo"? Ou Marcelo, esse "grande malandro"? Ou Eanes, um "inimigo de estimação", reabilitado em 2001 por causa de João Soares? Ou finalmente a ele próprio, na sua versão presidencial de 1986-1996?

O MEDO

João Gonçalves 2 Ago 05

Hoje, pelas três da tarde, o Chefe do Estado recebe, a seu pedido, Mário Soares. Por causa de um programa de televisão que o tratou mal, Pedro Santana Lopes também foi recebido por Jorge Sampaio e "ameaçou" abandonar a "política". Presumo que os motivos que levam o ilustre antecessor de Sampaio a Belém sejam exactamente os contrários que motivaram Lopes. Soares quer emprestar gravidade e um "cunho nacional-unanimista" ao seu projecto faccioso. Quem, pois, melhor do que Jorge Sampaio, que se presta a praticamente tudo, para o efeito? E que não se importa, pelos vistos, de aparecer como actor secundário desta pequena farsa a que Soares chamou de "reflexão"? A comunicação social dá uma ajuda ao incluir este "passo" no "processo reflexivo" de Soares. E há formas de vida inteligente que fingem que acreditam. Acontece que Jorge Sampaio não faz parte da "sociedade civil", não é "independente" e não está ao serviço de qualquer corporação ou partido. É, por muito que lhe custe nesta fase terminal de mandato, o "presidente de todos os portugueses". Não é uma mera caução ambulante da "dinastia Ming" socialista que quer, a qualquer preço, manter Belém "em família". Este episódio recambolesco merece atenção. Eu já esperava manifestações de temor reverencial e contorcionismos de origem variada perante a putativa candidatura de Soares. Não podia, no entanto, imaginar que eles começassem logo pelo topo da hierarquia do pobre Estado português. Sampaio encerra o mandato como começou. Com medo de Soares.

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