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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A ENTRONIZAÇÃO

João Gonçalves 31 Ago 05

Se descontarmos a parte em que Soares delicadamente lembrou a Sócrates que, em matéria de consolidação orçamental e financeira, o melhor mesmo é ele estar quietinho, a "declaração solene" da recandidatura não passou de um enorme bocejo. Soares percorreu todas as trivialidades e lugares-comuns que qualquer pessoa de boa-fé subscreve quando pensa na parte "ornamental" do PR. Falou do que "aprendeu" nestes últimos dez anos, cortejou os "jovens" e auto-elogiou-se em matéria de idade. A sua "ideia de e para Portugal", como ele gosta de sublinhar, não aquece nem arrefece ninguém. Soares exibiu-se para um país que vive manifestamente uma realidade bem diferente da tranquilidade colorida exibida pelo candidato. Ou então - o que é mais sério para ele - Soares recusa-se a deixar que a realidade entre na sua simpática e divertida cabeça. Em suma, esta entronização doméstica não passou do tal "ponto de chegada" a que aludi ontem. De qualquer forma, e uma vez mais, bem-vindo, Dr. Soares!



Adenda: Valia a pena M. Soares ter escutado o que Miguel Sousa Tavares disse na TVI sobre a sua prestação. Eu, que há vinte anos estive, com gosto e empenho, na cerimónia equivalente no Altis, não reconheci o mesmo protagonista. Mudaram-se efectivamente os tempos e as vontades. Não existem repetições "felizes".

A VANGUARDA

João Gonçalves 31 Ago 05

Vital Moreira ainda acredita no papel das "vanguardas". O argumento verdadeiramente reaccionário da "inigualável capacidade de atracção [de Mário Soares] no campo da cultura, das artes, da literatura, da ciência, do trabalho", utilizado para tentar menorizar Cavaco Silva, apenas popular, aos seus olhos, no meio de "empresários e gestores", advém seguramente da leitura atenta que deve ter efectuado, anos a fio, do livrinho de Cunhal, "A superioridade moral dos comunistas". Há (maus) hábitos que nunca se perdem.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 31 Ago 05

"Por isso vos disse, há anos, e agora repito: basta! Nem política partidária, nem exercício de cargos políticos. Basta!" Mário Soares no "discurso de agradecimento proferido no jantar que lhe ofereceram os seus Amigos [eu também lá estava], por ocasião dos 80 anos, em 7 de Dezembro de 2004", página 10. Bastava?

UMA ALEGRE CHATICE -2

João Gonçalves 30 Ago 05

Na sua ditirâmbica mensagem, Manuel Alegre conseguiu dizer três coisas importantes. Primeiro, que a recandidatura de Soares não é saudável para a República. Em segundo lugar, que não apoia uma recandidatura "monárquica". E em terceiro lugar, que não acredita no sucesso dessa recandidatura "anti-republicana". Foi um belo primeiro momento verdadeiramente político do último dos românticos da "política". As bochechas irritadas de Mário Soares descaíram seguramente um pouco. Só por isso valeu a pena.


Adenda: Alegre "confirmou" - como se fosse preciso - o "acordo" de Soares com o PC e o BE para a sua recandidatura "unitária". Jerónimo de Sousa e o "mono" do BE cumprirão metodicamente o "acordo" até ao último instante. Na hora certa, o "salvador" do "regime" - não necessariamente da Pátria - ficará sozinho em palco para esconjurar o diabo. É por estas e por outras que somos muito mais "tropicais" do que nos imaginamos na nossa subtileza "europeia" e "progressista".

LER...

João Gonçalves 30 Ago 05

... na Grande Loja, "nem é a primeira vez...".

UM PONTO DE CHEGADA

João Gonçalves 30 Ago 05

José Medeiros Ferreira, um dos mais qualificados apoiantes da recandidatura de Soares a um terceiro mandato presidencial, explica-se em relação ao que chama "o novo Mário Soares". Fala da história - a dele, com e contra Soares - e do "percurso" do corajoso fundador do regime democrático. "É um novo Mário Soares que temos pela frente", escreve, confiante, M. Ferreira. Sem querer, o autor pôs o dedo na ferida. Não tenho a certeza que o país aprove tão entusiasticamente e com tanto optimismo este "novo" Soares. Verdadeiramente não é uma "nova ideia para Portugal" - algo construído ao longo dos anos do exílio e das primícias da democracia, algo que mobilizou determinantemente o eleitorado "moderado" e "realista" em 1986 contra a "esquerda" folclórica e ressabiada e a direita "mal resolvida" - que move este "novo" Soares. Soares gosta tanto do social-democrata mal amanhado que é José Sócrates como eu gosto de beterraba. Não suporta a ideia de ver este homem, que ele suspeita ser mais ou menos feito de "plasticina política", a liderar a sua preciosa "esquerda". Não é esse o legado com que sonhou nos últimos anos. E a respeitabilidade que entretanto sedimentou à esquerda da sua própria "esquerda", pesa e muito. Finalmente, existe Cavaco, o inimigo de estimação. A mera admissibilidade de "tolerância" daquele por parte de Sócrates, é impensável para Soares. Manuel Alegre nunca contou nas lúbricas considerações do "fundador". Se há coisa em que Soares não se distingue particularmente é pela "delicadeza" política. A sua bonomia pára instantaneamente à porta dos seus interesses, esteja lá quem estiver. "Não se transformou porém num extremista, antes revelou-se, nestes últimos anos, como alguém capaz de antever o novo a nascer", conclui M. Ferreira. Eu também não aprovo o epíteto de "extremista" que por vezes é insinuado em relação a Soares. Porém, não sei a que "novo a nascer" se refere M. Ferreira. Ao "novo" Soares preferirei sempre o "velho". Porque, neste momento, a sua candidatura representa apenas o último avatar do "regime" e um gesto paternalista de apoio a um partido e a um governo embaraçados. Nada disto perfaz "uma ideia para Portugal", muito menos o ridículo "perigo" da direita. A recandidatura de Soares é apenas um ponto de chegada. Não é manifestamente um ponto de partida e, muito menos, um ponto de partida para "o novo a nascer".

IDEALISTA

João Gonçalves 29 Ago 05

"We honor heroes because at one point or another, we all dream of being rescued. Of course, if the right hero doesn’t come along, sometimes we just have to rescue ourselves."

LER...

João Gonçalves 29 Ago 05

... este excelente "Detector de Spin", do Paulo Gorjão, sobre o ministro das Finanças. Há dias, mesmo no meio da miséria reinante em matéria financeira, Teixeira dos Santos anunciou uma "equipa técnica" conjunta do seu ministério com o de Mário Lino para "avançar" com os maravilhosos projectos da OTA e do TGV. Ao menos T. dos Santos não esconde ao que vem e por que veio. E já agora, por outras razões, ler igualmente este "mistério" na Grande Loja. Eu não disse que ele anda " bater-se" ao lugar do Vasco Graça Moura do PS, descontados os dotes do tradutor exímio?

UMA ALEGRE CHATICE

João Gonçalves 29 Ago 05

Eu acho que ainda conheço menos mal os "bastidores" do "soarismo". Se bem que os meus amigos "soaristas" se tenham prudentemente afastado, eu pressinto-lhes perfeitamente as manhas. Ontem, no Diário de Notícias, Carlos Ventura Martins, actual director-geral das publicações de Jacques Rodrigues e ex-assessor de Soares em Belém, veio "bater" em Manuel Alegre e, de caminho, em Cavaco. É um bom sinal, vindo de quem vem, já que eu leio o seu texto como um produto "colectivo". A "presença" da proto-candidatura de Alegre até, pelo menos, às autárquicas, "chateia" o dr. Soares. Lembra todos os dias à opinião pública as pequenas traições "familiares" e os pequenos equívocos entre "amigos". Até Cavaco aparecer, Soares está vagamente prisioneiro desta doméstica e irritante "pedra no sapato" que ele gostaria de ver rapidamente removida, de preferência, já na quarta-feira de "consagração" universal. E, de facto, não vai ver. Toda a verborreia utilizada pelo meu amigo Ventura Martins é perfeitamente esclarecedora do "pensamento" de Soares sobre o assunto. No mesmo sentido anda Vital Moreira, que também já intuiu a Alegre "chatice". Quanto a Cavaco, já estamos habituados à retórica da soberba "democrática" e da "superioridade moral", política e "cultural" de Soares e dos seus epígonos sobre o "plebeu" Cavaco. Habituados, e, convenhamos, fartos.

COMÉDIA OU TRAGÉDIA?

João Gonçalves 28 Ago 05

Foi dado grande destaque ao "apoio" que três esquecíveis criaturas, aparentemente sem nenhuma "afinidade" entre si, deram, sob a forma escrita, à candidatura do dr. Mário Soares a Belém. Carlos Antunes, ex-"brigadista revolucionário" e o mais próximo que se consegue arranjar em português do "terrorista caviar", Fernando Condesso, uma emanação de província do PPD, em tempos um dos seus múltiplos dirigentes e Eurico de Figueiredo, um "heterodoxo" lírico do PS, juntaram umas linhas encomiásticas da aventura soarista e mandaram-nas para a Fundação do próprio. Já aqui escrevi que a última coisa de que Soares precisa, nesta fase da vida, é do patético. Creio que, só por manifesta maldade, é que os jornais enfatizaram este "apoio". Voltamos à velha história da "história" quando ela se repete. Será comédia ou será tragédia?

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