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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A TEORIA DO PERIGO

João Gonçalves 27 Jul 05

Vital Moreira vem aqui apresentar a famosa "teoria do perigo", algo de que vamos ouvir falar muitas vezes nos próximos tempos. Segundo ele, Cavaco pode pôr em causa a "estabilidade e a natureza do regime político". Com o devido respeito, se há algo ou alguém que anda a pôr em causa "a estabilidade e a natureza do regime político", é a "situação". Refiro-me à situação de pobreza franciscana - politica e institucionalmente falando - em que vivemos desde, pelo menos, 2001, e a que, com imensa felicidade, António Guterres apelidou de "pântano". É, de facto, algo tão profundo que Mário Soares teve que "reencarnar" junto de Sócrates por manifestamente também não confiar nele. Acha verdadeiramente que Soares, uma vez em Belém, vai deixar Sócrates fazer o que tem de ser feito e que nada tem a ver com a mitomania faraónica das cimenteiras, tão em voga? Já imaginou o que seriam as romarias da "esquerda em geral" - de que fala Medeiros Ferreira - ao Palácio e os "Portugal, que futuro?" para domar Sócrates, partindo do princípio que este ainda não está completamente rendido à tal "natureza moribunda" do "regime"? A "estabilidade" do "regime" já não convence ninguém. O "regime", ou evolui, ou morre. E evolui melhor com Soares ou com Cavaco? Limito-me a reproduzir o seu (bom) argumento: o argumento mais errado contra a candidatura de Cavaco Silva é o de que ele não tem perfil para o lugar.

JÁ REPARARAM...

João Gonçalves 27 Jul 05

...que, desde a saída de Campos e Cunha do governo e da sua substituição pelo compagnon Teixeira dos Santos, só se fala em milhões, cimento, "ideias luminosas" e "inovação" - até o SIRESP do dr. Daniel Sanches, inicialmente tão conspurcado pelo dr. Costa, foi "recuperado" -, enquanto o "rigor" desapareceu, perdido porventura algures nos campos da Ota, onde Manuel Pinho nos promete o céu por cima dos malmequeres?

O "MANIFESTO" - 2

João Gonçalves 27 Jul 05

Comentário/pergunta de um leitor:

Em época de discussão de bons e maus investimentos, estranho o silêncio sobre a rentabilização do porto/terminal de carga de Sines e do aeroporto de Beja; aliás, no PIIP faz-se uma breve referência a um ramal ferroviário Sines/Elvas, mas não se voltou a ouvir falar deste assunto. Esqueceram-se do Alentejo?

EMBARCAÇÕES PRESIDENCIAIS

João Gonçalves 27 Jul 05

O meu Amigo José Medeiros Ferreira, defensor "histórico" da recandidatura presidencial de Mário Soares, escreve pela primeira vez sobre o assunto no Bicho Carpinteiro. Devo-lhe -jamais o esquecerei- a minha "imersão" nas coisas políticas, nos idos de 79, através do "Movimento Reformador", com António Barreto, Sousa Tavares e outros. Não o acompanhei na "aventura" do PRD (nessa altura já era do PSD) e muito menos na campanha fratricida de Salgado Zenha, em 1986, contra um Soares que eu apoiava desde muito antes da "primeira volta". Nunca militei no PS - nem faço a mínima intenção de alguma vez o vir a fazer -, pelo que nunca senti qualquer impulso romântico para lá voltar. Estivemos em sintonia em 2001, com Jorge Sampaio, já que em 1996 apoiei, como hoje apoio, Cavaco. E presumo que teremos ambos votado no PS em Fevereiro deste ano, seguramente por motivos completamente distintos. Agora encontramo-nos, de novo, separados com - quem diria - Soares de permeio. Medeiros Ferreira "justifica" Soares "com o estado de desorientação das elites de imitação sobre o futuro de Portugal" e com a "firme convicção que ele trará força, determinação e ideias de futuro para Portugal e para a esquerda em geral." Termina, por causa da imagem da "batalha naval" utilizada por Marcelo, "desafiando" este a avançar "contra o velho porta-aviões". Esta visão jubilatória do regresso belenense de Mário Soares merece-me uns breves comentários. Em primeiro lugar, a sua emergência/urgência decorre precisamente da "desorientação" das "elites" do Partido Socialista em matéria presidencial e do fracasso das gerações políticas de Guterres e de Sócrates em produzirem "matéria comestível" aos olhos da opinião pública. O simétrico passa-se com a "direita", depois do clamoroso falhanço dos últimos três anos. Vitorino conta pouco, já que é politicamente cobarde. Alegre conta humanamente mais por ser frontal e corajoso, embora politicamente irrelevante. Não foi, pois, por estar a pensar no "futuro de Portugal" que Soares se chegou "à frente". Foi como militante e "dono" do património jacobino do PS, em "risco de vida" com este governo e com este secretário-geral, que Soares se impôs. A seguir, Soares traria "ideias de futuro" à "esquerda em geral", pelo que a sua aparição reveste-se de um inegável teor profiláctico para a dita. De facto, por ocasião dos trinta anos da Alameda, já com a candidatura no bolso esquerdo do casaco, Soares advertiu que agora o "perigo" vinha em "sentido contrário" ao de 1975. Curiosa lembrança. Soares, em 1986, "passou" à "segunda volta" graças ao "centro" político que o amparou para derrotar Freitas do Amaral. Se dependesse de Medeiros Ferreira - nessa altura já preocupado com a "esquerda em geral", ao lado do PC e de Zenha -, isso jamais teria acontecido. Finalmente chama-se Marcelo ao debate, uma "lebre-patrulha" que Medeiros Ferreira gostaria de ver avançar "contra o velho porta-aviões", provavelmente mais útil nesta altura do que o antigo primeiro-ministro. Como diria o nosso comum e saudoso amigo Cunha Rego, as coisas são o que são. Soares, ao contrário de 1986 e 1991, está apenas metido numa meritória "missão partidária" de redenção que não acrescenta nada ao "futuro" do país. Cavaco Silva deixou-se disso há muito tempo e a nação reconhecê-lo-á na devida altura.

O "MANIFESTO"

João Gonçalves 27 Jul 05

Voltaram os "manifestos". É um péssimo sinal. Nos dias "de chumbo" do "barrosismo/lopismo", "choviam" prosas deste estilo, assinadas praticamente pelos mesmos. Não estou a dizer que a coisa em si seja má. Não é, sobretudo este, que "alerta" para a circunstância de o investimento público não fazer milagres. E muito menos o que brota da temível e baça imaginação da dupla Pinho/Lino. Os "manifestos" espelham apenas a desacreditação crescente da actividade política sufragada eleitoralmente, bem como a eterna contradição entre a "política" e alguns dos seus executores momentâneos. Muitos dos que os costumam assinar foram responsáveis políticos governativos e em pastas apropriadas. Falam "de cátedra" como se não tivessem já "sujado" as mãos sem evidentes proveitos. Porém, a questão de fundo ali levantada permanece como uma ameaça que paira sobre a nossa cabeça. Num país de mitómanos desvairados e irresponsáveis como o nosso, querer "mostrar obra" significa invariavelmente "risco de vida" pública. No caso do aeroporto, o avisado e insuspeito Fernando Pinto da TAP já explicou o que se pode fazer. Quanto aos comboios, para quê pensar em ligações "vitessse", quando hoje, para chegar ao Algarve ou para ir ao Porto, os carris do dr. Salazar ainda não "dão" com os comboios "intercidades" ou "pendulares" do eng. º Cravinho? E não falemos do "metro" de Santa Apolónia, um dos maiores fracassos do betão e da nobre engenharia pátria, exposto em "carne viva" aos olhos de toda a gente que passa na zona ribeirinha de Lisboa. Os Linos e os Pinhos deste mundo passam. Estes abortos ficam para várias gerações pagarem. É o "pacote democrático" no seu esplendor. Não há manifesto que lhe valha.

SOBRE...

João Gonçalves 27 Jul 05

... a já "popular" questão da "Idade", Francisco José Viegas reflecte bem:

Se há argumento pernicioso é o da idade: Soares poderia candidatar-se aos noventa anos. Seria um bom sinal; a vida política não tem de ser entregue à rapaziada com bom aspecto. O problema da candidatura de Soares é que vai aproveitar a sua própria idade para pretender tornar indiscutíveis as suas ideias. É um poderoso instrumento de marketing.

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