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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O AVANÇO

João Gonçalves 24 Jul 05

Convém estarmos preparados para ouvir nos próximos dias os mais extraordinários derrames, delíquios e aquiescências acerca da candidatura de M. Soares. Aliás, o próprio já anunciou que vai "reflectir e contactar sectores muito alargados da sociedade portuguesa", bem como "escutar o sentimento e o pensar profundo dos portugueses, nos seus anseios, angústias e esperanças". Isto, traduzido do "soarês", quer dizer que Soares vai querer ouvir apenas o que já sabe e vindo de quem ele sabe que vai dizer o que ele quer ouvir. Nada mais. Devemos, pois, aguardar a emissão das mais solenes baboseiras sobre o assunto. A diferença em relação a outras "eras" está na circunstância de o "frentismo" poder começar já a ser exercido, sem angústias existenciais, face à "profundidade" do "programa": deter Cavaco a tempo.Não foi o PC o primeiro a ir ao Campo Grande, ainda reinavam Barroso e Lopes, pedir ao agora candidato que "avançasse"? Para quê um ou dois "homens-de-palha" de novo?

"PUTA QUE OS PARIU"

João Gonçalves 24 Jul 05

Na passada sexta-feira, a "2", ainda do Manuel Falcão, passou um excelente documentário com e sobre Luiz Pacheco. Em A Capital é hoje entrevistado. Retive a frase final do documentário, quando comentou aquela irritante pergunta que costumam fazer, tipo "o que é que tem a dizer às novas gerações de escritores". Pacheco foi eloquente: "puta que os pariu".

POR QUE É QUE SERÁ...

João Gonçalves 24 Jul 05

... que, aquando dos ataques terroristas a Londres, fomos literalmente bombardeados com todos os detalhes e com todas as mais sórdidas minudências - as nossas televisões fizeram "directos" desde os locais dos crimes até ao último ramo de flor deixado na rua-, horas a fio, e agora, que as mais de oitenta vítimas mortais dos actos terroristas em Sharm El-Sheikh não pertencem ao nosso glorioso "way of life" e são praticamente todas muçulmanas, a "cobertura" é diferente e não chega sequer a um terço da outra? Será que o terrorismo só é "terrorismo" quando atinge os "nossos"?

BEM-VINDO, DR. SOARES

João Gonçalves 24 Jul 05

1. José Sócrates, famoso em Portugal e arredores pela sua presuntiva autoridade, sofreu, em apenas uma semana, dois reveses nessa sua "qualidade". O primeiro, constituiu-se na "fala" amplamente comentada de Freitas do Amaral, algo que ele suportou menos mal, ruminando a "inteligência" do exercício. Como quase sempre, Freitas marcha a reboque dos acontecimentos. Também aquela sua "fala", como escrevi, antecipou a verdadeira. E chegamos assim à segunda machadada na famosa autoridade. Ainda há poucos dias, Sócrates disse que as presidenciais não estavam nem na sua agenda, nem na agenda dos portugueses. Ninguém, acrescentou, lhe arrancaria o mais vago comentário sobre o assunto, de que cuidaria oportunamente. Engano dele. Mário Soares "obrigou-o" a dizer publicamente quem era o candidato do PS. Ou seja, Soares começa ao contrário. "Encolheu" da nação para o partido, quando normalmente um aspirante presidencial "cresce" de um partido para a nação. Não obstante, é o primeiro melhor último recurso depois de Guterres, Vitorino ou de Alegre que -imagino - deve estar nesta altura "invadido" pelos melhores sentimentos.
2. Os desenvolvimentos dos últimos dias, no seio do governo, trouxeram de volta a lembrança da verdadeira "génese" política de Sócrates. Primeiro, o "aparelho" local partidário, depois o "aparelho" geral partidário, com o mesmo apoio "logístico" de que Guterres já tinha beneficiado contra Sampaio, o omnipresente dr. Jorge Coelho. A grunhice de Mesquita Machado, o "patrão" dos autarcas socialistas, proferida acerca da demissão de Campos e Cunha, avivou-me definitivamente a memória. Mário Soares vem porventura tentar tapar o último buraco da sua carreira política, ao mesmo tempo que ajuda a tapar o do partido e o de Sócrates, manifestamente já "a reboque" do "fundador". O "modelo" presidencial, protagonizado durante algum tempo por Soares e durante todo o tempo por Sampaio, está claramente ultrapassado. Já não basta ser "moderador e árbitro". Vai ser, sobretudo, preciso um "orientador". Soares, de novo em Belém, não quererá deixar de o ser, especialmente em relação a um Sócrates que intimamente deve desprezar e que, mesmo sem ainda ter anunciado nada, já "comanda". Chamar-se-á a isto "estabilidade"?
3. Eu estive no MASP I e II, há mais de vinte e de quinze anos respectivamente, correndo riscos de expulsão partidária no primeiro caso. Quando o desvario Barroso/Santana Lopes estava no auge, defendi aqui uma recandidatura "soarista". Sobreveio inesperadamente Sócrates e, com ele, a maioria absoluta do PS, que apoiei. A entrada de Mário Soares na "corrida" de 2006 confere-lhe indiscutivelmente uma densidade política bastante mais interessante do que se esperava. E, seja qual for o resultado, dará uma legitimidade democrática robustecida ao novo presidente que eu continuo a defender que deve ser Cavaco Silva, por razões que a seu tempo detalharei. Desta vez não o acompanho, dr. Soares. Mas seja bem-vindo.

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