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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PERGUNTA...

João Gonçalves 10 Jul 05

... O Jumento a Sócrates:

Por que é que na Administração Pública as regalias são cortadas a direito sem mais conversas e no Banco de Portugal tem de haver uma comissão de vencimentos em que quem representa o primeiro-ministro é ex-governador daquela instituição, ele próprio um dos beneficiados das mordomias locais? Se na Administração Pública as medidas são tomadas de um dia para o outro, qual o prazo dado ao Banco de Portugal para repor a verdade económica nas suas regalias? Se os direitos dos funcionários públicos podem ser retirados por iniciativa do Governo, porque é que o ministro das Finanças promoveu uma conferência de imprensa em moldes santanistas só para dizer que a sua pensão do BP é um direito adquirido, o que entenderá o ministro por direito adquirido?

DELÍQUIOS

João Gonçalves 10 Jul 05

Ouvi há pouco o dr. Barroso, com aquele seu optimismo de pacotilha, babado de alegria por o Luxemburgo ter votado favoravelmente o tratado constitucional europeu. De uma penada, e graças ao voluntarismo do sr. Juncker - que foi, aliás, recompensado nas urnas -, Barroso voltou a desenterrar o cadáver da Constituição Europeia. Falou num "plano D", de "diálogo", de todos com todos, para ultrapassar a "crise". Estava muito contente. Felizmente para ele e para a Europa, agora quem manda provisoriamente é outro mestre do sorriso plastificado, o sr. Blair. E de certeza que a última coisa que o preocupa neste momento, é o futuro do tratado. Depois de Londres e dos transes da União, este semestre britânico anuncia-se de chumbo. As medidas de vigilância avançadas pelo ministro inglês do Interior, com limitações declaradas dos direitos de cidadania, não auguram nada de bom. Se começamos a ter medo da própria sombra, instituindo sistemas de controlo securitário para além do estritamente necessário, entramos num caminho perigoso e declaradamente inútil de "prevenção" do que é imprevisível. Abusar, em democracia, dos privilégios que ela outorga ao poder, é diminui-la e apoucá-la diante dos seus inimigos. Não se ganha nada em "fechar" a "sociedade aberta". Este é um dado a que convém prestar verdadeira atenção e jamais aos delíquios provisórios do dr. Barroso.

RUÍNA SOBRE RUÍNA

João Gonçalves 10 Jul 05

Tenho evitado "olhar" para o PSD. Como disse aqui, por alturas do desvario completo atingido no fim do ciclo Barroso/Santana, ficou desse partido um amontoado de escombros insignificantes. A circunstância de a liderança ter sido disputada por Menezes e por Marques Mendes, foi suficientemente esclarecedora. Consta agora que Mendes, uma compostinha realidade virtual, está à espera de ganhar as autárquicas para se "afirmar". Engano dele. Se os candidatos apoiados pelo PSD vencerem um maior número de câmaras, encarregar-se-ão de reclamar, para eles e para os seus caciques locais, a respectiva vitória. Mendes será olimpicamente ignorado e ainda poderá ter de engolir os sucessos dos sobas Isaltino e Major Loureiro. Depois Mendes também não está à vontade para criticar este governo e para lhe "despejar" "ética" e "coerência" para cima todos os dias. Era - e com inteira justeza - considerado um dos melhores "braços" políticos no governo de Durão Barroso que ainda há pouco mais de um ano, lá estava. E manifestamente não manda quem encolhe os ombros e sublinha "paciência" quando é publicamente desautorizado pelo partido na Madeira e quem vê tratada como "inconveniente" a sua presença num evento local do PSD. Santana Lopes já percebeu o tremendo equívoco que grassa no seu partido. Avisou que tenciona "passar" pelo Parlamento, provavelmente para "ensinar" Mendes a fazer aquilo que ele sabe fazer melhor: oposição. A conjugação destes "sinais", mesmo com o eventual sucesso de 9 de Outubro, mostram que a "crise" laranja veio para ficar. Não tenho a certeza que a história venha a julgar os responsáveis por esta tragédia partidária, apesar da sua identificação, de Bruxelas ao Porto, passando por Lisboa ou pela Madeira, ser perfeitamente clara. O "tempo" da política de hoje é condescendente para com os seus piores servidores. De besta a bestial e de bestial a besta, vai apenas a distância de um editorial hebdomadário. Contudo isso não invalida que o PSD, muito por força dessa superficialidade e dessa insolência, seja neste momento aquilo que é, uma ruína sobre uma ruína.

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