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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

LISBOA A CINCO

João Gonçalves 1 Jul 05

Decorreu hoje na Antena Um o primeiro debate entre os candidatos à principal autarquia do país. Apesar das intermitências e de algumas interrupções, consegui ouvir tudo. Na aridez que constitui o nosso panorama político, Lisboa não tem por que se queixar. Carrilho, Ruben de Carvalho, Maria José Nogueira Pinto, Carmona e Sá Fernandes formam um razoável ramalhete para as actuais circunstâncias. Carmona Rodrigues, o "vereador, como foi tratado por Carrilho, esteve fraco. Tal como Sá Fernandes, cujas debilidades políticas me pareceram óbvias, faltou a Carmona algum rasgo na "defesa" - porventura indefensável - das "soluções" paradoxais de uma Câmara bicéfala. Essa é, aliás, a maior "pedra no sapato" do candidato que eu considero um homem sério e empenhado. Nogueira Pinto, num estilo entre o blasé e a dona-de-casa, foi suficientemente populista para marcar, com subtileza, o seu "território". Restam aqueles que eu estimo como os melhores candidatos, sendo certo que um deles - Carrilho - recebe, à partida, o meu apoio. Descontando umas picardias levemente sofisticadas, Carrilho "passou" bem a ideia de que, na realidade, tem "ideias" e que quer ser efectivamente o próximo edil lisboeta. Nestas coisas, a vontade e a persistência têm mais importância do que parece. Quanto a Ruben de Carvalho, a serena e não demagógica forma de abordagem dos problemas e o conhecimento que possui sobre a cidade, tornam-no, no mínimo, um candidato a seguir com interesse. Não fosse dar-se o caso de o PS e o PCP não se terem entendido, esta dupla seria concerteza vitoriosa.

DIREITO DE RESPOSTA

João Gonçalves 1 Jul 05

Em jeito de resposta/comentário ao post "Queer as Foleiro", o Nuno Pinho, autor de um blog assaz interessante, escreveu o que se segue. Não há "notas da redacção".


"Foleiro"

O
João Gonçalves acha, como pessoa racional. que os homossexuais devem ter os mesmos direitos que toda a gente, "ponto final". Estamos de acordo. Não percebo é como o discurso moralista que depois nos apresenta, ao abrigo do "politicamente incorrecto" (em cujo nome se podem dizer, aliás, as maiores barbaridades), nos vai ajudar a isso. JG desgosta do estilo de vida e comportamentos de alguns gays - que parece descortinar perfeitamente através da sua marcha anual - e acha que deviam ficar em casa. Como os políticos também "ficam em casa" nesta matéria, não se vê então como poderia a comunidade LGBT reivindicar os seus direitos. Todos os outros grupos podem, mas os gays devem ficar em casa em prol de um melhor ambiente nas ruas. Deixe que lhe diga, tal pensamento é duplamente foleiro. Foleiro pela desconsideração cívica e pela hipocrisia do discurso do "não sou homofóbico, mas pronto, a lei está como está. Paciência". Se todos ficassem em casa, até seria fácil dizer que provavelmente não existem. Foleiro porque assume que todos os homossexuais sem comportam desta maneira, o que não é verdade. E aqui se vê que JG não esteve na Marcha Gay, e não viu que estariam uns 5% de transformistas, se tanto. Ou, pior, baseia a sua análise em reportagens televisivas sensacionalistas. E mesmo que fossem 100%, qual o problema? Para além de haver "transgenders" que têm direito à vida e à luz do sol, o orgulho gay surge em oposição à vergonha gay. Em adição, uma marcha também tem um lado de provocação e carnaval. Aposto que JG não se insurge contra outros mascarados libidinosos em situações festivas. Caro João, até poderá ter razão em realção a algumas críticas que faz em relação ao associativismo LGBT, mas é intelectualemente errado partir daí condenar qualquer luta pela alteração de leis e mentalidades que, até à data, só envergonham Portugal e as suas elites.Ps. Vi ainda um engraçado "sketch" do Contra-Informação que colocava a manifestação de neo-nazis em algum paralelo com a Marcha Gay. A comparação surgia através do baixo número de manifestantes em ambos os casos. Porém, para que não restem dúvidas, é preciso dizer que os primeiros procuram limitar direitos e impor comportamentos que afectam directamente todos os que não professem a xenofobia nacionalista enquanto os segundos querem apenas igualdade de direitos que não afectam (a não ser nos preconceitos) as vidas de ninguém.

POSSIDÓNIO

João Gonçalves 1 Jul 05

De acordo com um "dicionário enciclopédico da língua portuguesa" que tenho cá em casa, o "possidónio" é o político ingénuo que só vê a salvação do país no corte profundo e incondicional de todas as despesas públicas. (Vol. II, pág. 954). Voltaire chamar-lhe-ia "cândido".


Adenda: Ler "O Senhor Possidónio" no Despesa Pública.

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