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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"QUEER AS FOLEIRO"

João Gonçalves 25 Jun 05

Decorreu em Lisboa uma "gay parade" à nossa medida. Este ano o propósito do pequeno desfile folclórico consistiu em tentar chamar à razão as "instituições" para a necessidade de ser cumprido o princípio constitucional da igualdade, por forma a serem permitidos casamentos entre "same sexers". Também há gente mais entusiasmada que quer chegar à adopção. E por aí fora. Eu sobre estes assuntos não sou nada politicamente correcto. A obsessão "conjugal" visa fundamentalmente "copiar" o que existe de mais piroso no "outro lado" - o ritual do casamento e o espalhafato da "cerimónia". A lei - porque de um tema jurídico se trata - deve consagrar direitos a pessoas com vida em comum, sem se preocupar com o seu sexo. Ponto final. Não me parece que seja necessário tanta palhaçada para defender isto. O mesmo se deve aplicar em relação à adopção de crianças por duas pessoas do mesmo sexo. Está por provar que um casal dito heterossexual trate melhor da educação e do bem-estar dessas crianças. Ou que um flho não possa ficar à guarda de um pai ou de uma mãe por causa da orientação sexual respectiva. Mais uma vez, não me parece que seja preciso andar de "plumas à cabeça" para constatar puras evidências. Detesto o associativismo sexista e a retórica da discriminação. Julgo, aliás, que esta "pulsão" anti-segregacionista contribui mais para "separar as águas" do que o contrário. Há pessoas que adoram espremer por aí a sua "diferença" e exibi-la como um troféu. Não é pela pilhéria e pelo mau-gosto que se consegue ser respeitado. É, sobretudo, não tentando chamar frivolamente a atenção para a circunstância de que existem "diferenças" onde elas manifestamente não devem existir. É este associativismo parolo, pindérico e pífio que mais contribui para elas virem "ao de cima", ao arrepio de se tentar viver tranquilamente o lado privado da vida de cada um. Meia dúzia de travestis, alguns "casais" mais ou menos "conspicuous", uns quantos "activistas", uma mão cheia de curiosos e dois ornamentos, a Sra. D. Inês Pedrosa e o engraçadinho Rui Zink, fizeram a "festa". Não têm por que se "orgulhar". Não são "queer as folk". São "queer as foleiro".



Adenda: Aos actuais "aprendizes de feiticeiro", gostava de lhes recordar este "poema" de Mário Cesariny, "o regresso de ulisses", escrito por alturas dos "anos de chumbo".

o regresso de ulisses

O HOMEM É UMA MULHER QUE EM VEZ DE TER UMA CONA TEM UMA PIÇA, O QUE EM NADA PREJUDICA O NORMAL ANDAMENTO DAS COISAS E ACRESCENTA UM TIC DELICIOSO À DIVERSIDADE DA ESPÉCIE. MAS O HOMEM É UMA MULHER QUE NUNCA SE COMPORTOU COMO MULHER, E QUIS DIFERENCIAR-SE, FAZER CHIC, NÃO CONSEGUINDO COM ISSO SENÃO PRODUZIR MONSTRUOSIDADES COMO ESTA FAMOSA "CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL" SOB A QUAL SUFOCAMOS MAS QUE, FELIZMENTE, VAI DESAPARECER EM BREVE.
PELO CONTRÁRIO, A MULHER, QUE É UM HOMEM, SOUBE SEMPRE GUARDAR AS DISTÂNCIAS E NUNCA PRETENDEU SUBSTITUIR-SE À VIDA SISTEMATIZANDO PUERILIDADES, COMO FILOSOFIA, AVIAÇÃO, CIÊNCIA, MÚSICA (SINFÓNICA), GUERRAS, ETC, ALGUNS PEDANTES QUE SE TOMAM POR LIBERTADORES DIZEM-NA "ESCRAVA DO HOMEM" E ELA RI ÀS ESCÂNCARAS, COM A SUA CONA, QUE É UM HOMEM.


DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS, ANTES DA ROBOTSTÂNICA GREGA, OS ÚNICOS HOMENS-HOMENS QUE APARECERAM FORAM OS HOMENS-MEDICINA, OS HOMENS-XAMAS (HOMOSSEXUAIS ARQUIMULHERES). ESSES E AS AMAZONAS (SUPER-MULHERES-HOMENS). MAS UNS E OUTRAS ERAM DEMAIS. E DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS QUE PENÉLOPE ESPERA O REGRESSO DE ULISSES. MAS O REGRESSO DE ULISSES É O HOMEM QUE É UMA MULHER E A MULHER QUE É UMA MULHER QUE É UM HOMEM.

PERDAS E GANHOS

João Gonçalves 25 Jun 05

Todos os "comentadores" esperaram pela apresentação do orçamento rectificativo na sexta-feira. O governo, na senda do silêncio pedagógico que constitui o seu modo mais conhecido de falar, aguardou a chegada da noite e, cerca das 22 horas, entregou o dito orçamento na Assembleia da República. Nada disso impediu que alguns serões televisivos fossem preenchidos a "analisar" o documento e as suas propostas. A crédito do governo fica, aparentemente, a coragem de defender um diploma sem travestismos nem fórmulas mágicas. Ou seja, como tem sido amplamente divulgado, se não se fizesse nada, o défice rondaria os 6,8% no final do ano. Com as "medidas" que o orçamento rectificativo contempla, prevê-se uma redução de cerca de 0,6% nesse défice. Conta-se ir diminuindo até 2008, altura em que não seriam ultrapassados os miríficos 3%. Acontece que, por causa destes escassos zero vírgula seis, o governo e o PS andam por aí a ser impiedosamente chamuscados. Não teria sido preferível - já que tem que ser feito, e o governo e o PS inevitavelmente chamuscados- fazer "o mal" todo de uma vez e, preferencialmente, bem feito? Perpassou de imediato a ideia de que é demasiada "parra" para tão pouca "uva", sobretudo à custa do aumento do IVA a partir de Julho. É que nada ou muito pouco vai ajudar daqui em diante. O preço do petróleo, o impasse europeu, a má gestão do "dossier" autárquico, a excitação corporativa, a ansiedade da opinião pública e a necessidade de sobrevivência da que se publica, tudo isto resulta numa mistura explosiva que rebentará, mais tarde ou mais cedo, à porta de Sócrates. E Sócrates está exactamente como Barroso no início, com a diferença que este tinha uma ministra das Finanças com maior "autoridade" política. Como demonstra um estudo do Instituto de Ciências Sociais, coordenado por António Barreto e divulgado esta semana na Casa de Mateus, o eleitorado move-se por objectivos de curto prazo, o que justifica o que assistimos desde Dezembro de 2001 até ao último 20 de Fevereiro em matéria de resultados eleitorais. Não foi nada de excessivamente "profundo" que concedeu a maioria absoluta ao PS há uns meses (a deriva "santanista" e a falta de confiança no PSD e no governo, no essencial). Cada vez mais pesa a contingência no modo de decisão do "povo". O governo tem de contar com ela, sem abdicar de exercer a autoridade democrática, com sentido de oportunidade e de utilidade. Só assim estará apto a perder muito provavelmente as eleições autárquicas e as presidenciais sem, por isso, perder a razão ou o poder.

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