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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

RIDÍCULO...

João Gonçalves 18 Jun 05

... isto, via Grande Loja. De um aprendiz de governante que quase chora - se não se deu mesmo o caso de ter chorado - na sua tomada de posse, deve esperar-se o pior.

JUÍZO NA JUSTIÇA

João Gonçalves 18 Jun 05

Os senhores magistrados estão "em luta". Parece que as "reformas" - o célebre doce eufemismo de sempre - que o dr. Costa prepara para o sector não lhes agradam. A mais populista de todas - as "férias normais" - ainda menos. Segundo alguma imprensa, já conspiram, imagine-se, com o sr. Carvalho da Silva. "Ameaçam" paralisar o sector. Outro eufemismo: o "sector" já está naturalmente paralisado. Custa imenso a estas estimáveis criaturas descer da hiper-realidade em que sempre viveram, sobretudo depois das "conquistas" corporativas que obtiveram após o 25 de Abril. A mexer, que mexam os "deles", nunca a nojenta política. Convém, porém, lembrar que, por mais obnóxio que o dr. Costa possa ser, ele emana de uma coisa chamada poder político democrático. O governo a que ele pertence está legitimado pelo voto e, por sinal, até tem um apoio parlamentar maioritário. Apesar do nosso conceito "napoleónico" de justiça, os poderes "de facto" não devem sobrepôr-se aos poderes eleitos e sufragados livremente. O governo tem o direito e o dever de ter uma "política" para o sector da justiça que não tem forçosamente de coincidir com as ambições de classe dos magistrados ou dos advogados. A justiça é uma política pública democrática ao serviço dos cidadãos e não um simples feudo enxertado na sociedade ou acima dela. É preciso não esquecer que, enquanto funcionários públicos na verdadeira acepção da palavra, os magistrados são - e correctamente - bastante bem remunerados. E que a missão que desempenham - a administração da justiça, os juízes, e a titularidade da acção penal, os procuradores - é um eminente serviço de soberania que não pode ser confundido com mesquinhos interesses de contingência. Juízo, pois, na justiça.

ONDE É QUE ESTÁ?

João Gonçalves 18 Jun 05

Neste post de RAF, do Blasfémias, um blogue que acompanho com regularidade, fala-se de "uma juventude que tem ânsia de pensar" (sic). Com o devido respeito, Rodrigo, depois de tantas baboseiras ditas e escritas nos últimos dias, importa-se de me dizer onde é que pára essa gloriosa "juventude" e, já agora, essa "ânsia" de que fala?

SOMOS TODOS PORTUGAL?

João Gonçalves 18 Jun 05

O Senhor Presidente da República esteve em visita folclórica ao bairro da Cova da Moura, nos arredores de Lisboa. Pregou pela "tolerância" e pela "lei", assistiu a um jogo de futebol - a verdadeira "raíz" da "identidade nacional" democrática -, distribuiu os habituais apertos de mão e garantiu, à sua maneira, que "somos todos Portugal". Na sua ingenuidade voluntarista, Sampaio não sossegou ninguém. Nem os habitantes do bairro, nem os que olham para o bairro como um gueto duvidoso. Tal como Salazar na sua obsessão colonial, também este regime com trinta e um anos de idade, falhou no propósito - sempre o mesmo - da miscigenação das raças, agora mais conhecida pela democrática "integração". Acontece que ninguém perguntou às gentes a "integrar" se elas desejavam efectivamente ser "integradas". E muitos dos mecanismos criados e mantidos pelo Estado para assegurar essa "integração" - voluntária ou "à força" - não conseguem escapar a uma estafada retórica burocrática que nada resolve. A peripécia do "arrastão", bem como a patética manifestação "branca" do Martim Moniz, apenas evidenciam que, ao contrário do que por aí se prega, existe um mal estar larvar. Eventualmente pequenino, mas existe. Os sociólogos e demais "especialistas", imediatamente chamados a perorar, não descolam da trivialidade. A "realidade" jamais lhes consegue entrar na cabeça, cheia de lugares-comuns apanhados nos calhamaços e nas vulgatas que passam a vida a ler. Pelo contrário, é esta "realidade" que começa a "entrar" na cidadania e quase sempre pelas piores razões. O fracasso da "coesão social", da "integração" e da "solidariedade" está à vista para quem o quiser ver. "Somos todos Portugal" ? Onde ?

HABITUEM-SE

João Gonçalves 18 Jun 05

"Europe had reached a moment when it had to make fundamental changes and reforms because the ‘no’ votes in the two referendums could not be ignored." Já a madrugada ia alta quando Tony Blair resumiu o essencial. Ao contrário do que os comentadores e os adeptos da "Europa redonda" anunciaram com melancolia, a Europa, depois da cimeira de Bruxelas, deu afinal um passo em frente. Como construção democrática, conflitual e negociada que sempre foi, a União Europeia, só por cegueira ou qualquer outra grave deficiência intelectual e política, poderia ficar indiferente ao que os seus "povos" pensam dos conchavos organizados permanentemente em torno de apenas duas ou três figuras de proa perfeitamente descredibilizadas. Como não gosto particularmente de Blair, estou à vontade para saudar a sua entrada em cena, sobretudo a partir de 1 de Julho. É preciso colocar as coisas no sítio adequado e devolver alguma "democracia" aos interstícios da União. Para os mendigos como nós, esta cimeira representou um rude golpe. Nem Constituição, nem dinheiro fresco. Nada. Não é mau. Temos que começar, de uma vez por todas, a perceber o que valemos e, a partir daí, a viver de acordo com o que valemos. O "mote" não é "habituem-se"? Pois então, habituem-se.

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