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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PAPÁ...?

João Gonçalves 8 Jun 05

Devo ter sido dos primeiros que, neste blogue e num jornal, defenderam a candidatura de Manuel Maria Carrilho à presidência da CML. Não senti, por isso, nenhuma pulsão especial em me dirigir ao CCB para a cerimónia de bajulação. Até para me poupar ao espectáculo deprimente dos aplausos frenéticos de muitos dos que tanto fizeram para evitar que Carrilho fosse candidato. Nem tão pouco fui convidado para lá ir. Pelo que li e vi, não creio ter perdido grande coisa. O PS - parece que em peso e com o seu secretário-geral já com "saudades" da "camaradagem" -, oficiou em conformidade. Não era, na realidade, preciso mais ninguém. Esclarecendo uma vez mais que não tenciono mudar de sentido de voto - voto Carrilho -, não ficaria bem com a minha consciência independente se não manifestasse o meu desconforto perante os relatos do evento. As ideias - boas - de Carrilho para Lisboa soçobraram perante um video narcísico, desnecessário e vão. O texto de Ana Sá Lopes no Público é bem elucidativo da frivolidade do exercício o qual, salvo melhor opinião, não rendeu um voto. E as reportagens televisivas também não ajudaram, num registo entre o incrédulo e o irónico. Não consigo entender como é que um homem inteligente e politicamente intuitivo como Manuel Maria Carrilho "escorregou" nesta fantasia "cor-de-rosa" e mediaticamente inútil. Eu mantenho-me na certeza de que Carrilho daria um excelente presidente da cidade-capital. Quanto ao resto (que, por agora, é "tudo"), limito-me a relembrar-lhe a frase de Séneca que tanto gosta: "não há bom vento para quem não conhece o seu porto".

PATERNALISMO

João Gonçalves 8 Jun 05

A divergência entre a "posição oficial" de Freitas do Amaral e a sua "posição pessoal" acerca do Tratado Constitucional europeu, valeu-lhe um raspanete público de António Vitorino, um dos mais insignes guardiões do templo de Bruxelas. Pela picardia, achei francamente graça à forma como Freitas respondeu a Vitorino, "reconhecendo-lhe" o direito a ter uma opinião pessoal. Descontando o folclore, este episódio veio apenas reforçar aquilo que aqui se tem dito acerca do "consenso albanês" que os poderes oficiais e oficiosos esperam do referendo em Outubro, caso ele se realize. O Freitas "pessoal" está, porém, no bom caminho e tem razão. Pena é que o fundamentalismo, afinal provinciano, de alguns adeptos ferozes da Constituição Europeia, como o versátil Vitorino, não cure mais de esclarecer em vez de exibir constantemente o seu insuportável paternalismo.



Adenda: Já estava escrito este post quando, numa rápida ronda pela blogosfera "amiga", dei com este texto de Medeiros Ferreira. Junto-me a ele.

HABERMAS SOBRE A EUROPA

João Gonçalves 8 Jun 05

Apesar de O Sítio do Não estar "parado" há dois dias, "a luta continua". Vale a pena ler este belo texto de Jürgen Habermas na íntegra - UE, nouvel essor ou paralysie - , na tradução francesa publicada no Libération. (...) Les hommes politiques avaient leurs raisons de ne pas s'embarrasser d'une discussion publique sur la finalité de l'unification européenne. Ils avaient cru pouvoir glisser sous le tapis ce à quoi ils ne voulaient pas se salir les mains. Le peuple électoral l'en a maintenant retiré, pour le mettre bien en évidence devant leur porte (...) Il est à prévoir que la manière dont les choses vont évoluer soit donc une gifle à la face des électeurs dont la protestation est dirigée contre la classe politique dans son ensemble. Il s'y exprime une impulsion démocratique, sinon pour mettre un coup d'arrêt, du moins pour que s'interrompe pendant un temps un processus qui s'est, jusqu'ici, déroulé par-dessus leur tête. Le non est aussi une opposition à la fausse conscience des partis, qui se reconnaissent manifestement dans la manière dont Luhmann décrivait le système politique, c'est-à-dire comme un dispositif apportant les réponses stratégiquement les mieux adaptées à l'environnement constitué par le monde des électeurs. Les expressions de la volonté démocratique de la semaine dernière ne peuvent être éludées d'un revers de main hautain, ni stigmatisées comme pathologie. Et il est tout aussi déplacé de s'en prendre aux plébiscites de manière générale. Les scrutins populaires sont un correctif salutaire, sinon nécessaire, face à des exécutifs qui attendent placidement l'alternance. Dans la mesure où ils se sentaient sous-représentés, les électeurs avaient une bonne raison de s'opposer à Bruxelles, un régime sans opposition (...) Ce non signifie donc bien plutôt, en fin de compte : «Non. Pas comme ça.»

NÃO CHEGA

João Gonçalves 8 Jun 05

Maria João Avillez entrevistou o sr. ministro da Economia e da Inovação. Quem não soubesse quais são as funções que Manuel Pinho desempenha no governo, poderia pensar que estava num canal de televendas. De facto, o sr. ministro falou-nos de uma "realidade" que, suspeito, é ignorada pela larga maioria dos portugueses. Particularmente daqueles que diariamente passam nas televisões quando fecham as fábricas onde trabalham, quando lhes aplicam, pela terceira ou quarta vez o lay off ou quando a "deslocalização" torna mais rentável pôr um romeno a fazer sapatos. Nem sequer faltaram os mil rapazes e meninas que vão ornamentar o pequeno e médio "tecido empresarial português" ou a colocação de pequenos génios lusos algures entre Singapura e os EUA. A dada altura, Maria João perguntou ao ministro como é que o "plano tecnológico" encaixava no actual velório financeiro. Com extrema candura, Manuel Pinho revelou que nós - portugueses - estamos fascinados com o dito "plano". Como prova disso, mencionou que, outro dia, estando ele num restaurante, numas mesas por perto só se falava no "plano tecnológico". Vai daí, Pinho concluiu pelo entusiasmo geral da pátria pelo "plano", notoriamente evidenciado naqueles sussurros dos comensais. Esta oportuna entrevista ao ministro da Economia teve o mérito de esclarecer duas ou três coisas. Em primeiro lugar, deu para entender como é que um bom técnico raramente faz a mínima ideia do que seja exercer um lugar político. Como consequência disto, também ficou perfeitamente entendido qual tem sido o papel do ministro da Economia na actual novela das finanças públicas. Têm-no poupado. Finalmente, Pinho fantasiou sobre as empresas portuguesas e o "investimento" como se tivesse vindo directamente de Marte. Manuel Pinho é um homem afável e tímido. Tem excelentes ideias sobre a "economia". Não estou, no entanto, seguro que essas ideias "entrem" nesta "economia" ou que esta "economia" esteja em condições de absorver essas ideias. Neste sentido, parece-me que Manuel Pinho esteve a dissertar sobre uma Disneylândia desconhecida que apenas vagueia na sua cabeça. Deve ser um homem bom e sério. A sério. Só que isso não chega.

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