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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

DA INTENDÊNCIA

João Gonçalves 3 Jun 05

Só Deus sabe como eu não gosto de conversas de "mercearia". Aborrece-me o dinheiro "físico" e, como dizia Salazar, devo à Providência a graça de ser um mero remediado. Não tenho, nessa matéria, invejas, ressentimentos ou sombras. Por isso acho que a excitação em torno da "acumulação" de vencimentos do sr. ministro das Finanças deve ser reconduzida ao plano estritamente político. Suspeito que o "veneno" tenha sido destilado bem de dentro de algumas hostes ressabiadas do PS para alimentar a demagogia populista. Eu já aqui escrevi que uma das maiores fraquezas de Campos e Cunha é ser "independente". Nenhum "político" suporta que um que não é dos "seus" lhe mexa. Para além disso, a "revelação" surge no pior momento para o governo e para Campos e Cunha em particular. Como é que se explica tranquilamente a uns bons milhares de trabalhadores, privados ou funcionários, que "andam nisto" há mais de trinta e tal anos, que uma meia dúzia deles ao serviço do banco central gere automaticamente uma "reforma"? E que essa "reforma" é acumulável com o salário ministerial? Já vai tarde, mas eu aconselhava o sr. ministro - apenas por uma questão de bom senso político, atendendo ao que aí vem -, a suspender a percepção dessa "reforma" enquanto estiver na Praça do Comércio a tratar da intendência alheia. Sobretudo por causa da "forma" como está a tratar dela.

NÓS POR CÁ

João Gonçalves 3 Jun 05

Cavaco junta-se a nós na constatação que deve haver uma nova concertação europeia sobre a matéria, conclusão a que Barroso também chegará em breve. Antes de Lisboa? Pergunta, no Bicho Carpinteiro, Medeiros Ferreira. Depois da revisão constitucional de opereta, aprovada a correr pelo "arco parlamentar" para o referendo de Outubro ( haverá?) juntinho às autárquicas por forma a não se dar por ele, Lisboa ainda não se apercebeu do que é que se está a passar politicamente com a Europa desde domingo passado. É pena e é grave.


Adenda: O título deste post é o mesmo do artigo de hoje em O Independente”. Fica um excerto. Porque não me privo de denunciar, as vezes que forem necessárias, esta nossa pequena farsa.


(... ) A "Europa da boa consciência" – sobranceira e desfasada do “seu” povo -, acabou derrotada nos referendos. É, aliás, excelentemente encarnada por esse modelo de "neutralidade virtuosa" e de fundamentalismo constitucionalista que se chama Durão Barroso, uma nossa exportação de luxo. Por cá, o “albergue espanhol” favorável ao “sim” em Outubro, tenciona partilhar a campanha com a tagarelice dos autarcas e dos candidatos a autarcas. Como não há dinheiro nem genuína vontade política de explicar o quer que seja aos portugueses, para além de uma vaga retórica eurófila, “dilui-se” o referendo nas eleições autárquicas. Isto é uma forma manhosa e pouco séria de evitar qualquer debate. Como de costume, nós por cá todos bem.

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