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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ENTENDER OU ENGANAR?

João Gonçalves 30 Mai 05

Alguns adeptos do "sim", quando olham para o lado oposto, vêem por lá "uma federação de medos". Lembram-me um ditame bíblico: "a sabedoria do prudente é entender o seu caminho, a estultícia dos tolos é enganar".

FINANÇAS À PARTE

João Gonçalves 30 Mai 05

A reunião extraordinária do Conselho de Ministros, que aprovou o "plano de consolidação das finanças públicas nacionais", não dedicou uma palavra - pelo menos que se saiba - às autarquias ou às regiões autónomas. Será que estas duas entidades são "filhas de um Deus maior", protegidas designadamente pelos signos de Outubro, ou será que não cabem no conceito de "finanças públicas nacionais" ? Parece que, "finanças" à parte, os contribuintes são os mesmos. Ou não são?

LER OS OUTROS

João Gonçalves 30 Mai 05

... no Random Precision, O Miguel Rolha. Assunto encerrado.

QUENTE E FRIO

João Gonçalves 30 Mai 05

Muito sinceramente, eu espero que a dra. Ana Gomes apareça rapidamente e várias vezes a defender o "sim" português. O seu glamoroso "optimismo", agora furioso com os franceses, é um bálsamo divertido para suportar o gongorismo de Freitas do Amaral, o arcadismo de Oliveira Martins ou, no limite, o fundamentalismo constitucionalista de Durão Barroso que aparentemente continua a não querer ver o que é evidente. Vale a pena ler o seu texto " a quente" no Causa Nossa. E vale a pena imaginar, daqui a uns meses, o que será um debate "pró-sim" entre, quem sabe, Vitorino, Marcelo e a própria Ana Gomes. Já li e vi muita coisa sobre o "29 de Maio". Talvez o melhor seja o pequeno texto de Luís Salgado Matos no Público, Os Novos Pobres (sem link), seguramente pensado "a frio". O processo de elaboração da "Constituição" europeia é o melhor exemplo do aumento do défice democrático: foi votada numa assembleia de "ancien régime", nomeada - quando a tradição constitucional europeia exige assembleias eleitas -, será ratificada por parlamentos nacionais, na ordem do dia corrente, entre a regulamentação das praias perigosas e a adaptação da rede dos jardins infantis à queda da taxa de natalidade. A elite tem agora que consultar a massa - que hoje segue os seus dirigentes menos do que ontem porque vê o célebre Modelo Social Europeu a desfazer-se sobre as marteladas globalizadoras. É a globalização que acentua aquela cisão entre a elite e a massa. A globalização é o aumento do comércio livre. É um novo passo na infindável revolução burguesa. Se gera novos ricos, faz nascer novos pobres. É a eles que por certo se refere D. José Policarpo quando no sermão do Corpo de Deus salientou as "condições aviltantes e a pobreza envergonhada" existentes em Lisboa. E na Europa, acrescentemos. Esta miséria material é envolta numa miséria moral bem mais terrível. A Europa tem medo. Medo dos imigrantes, do desemprego, do crime, do vizinho, do futuro. Se os sistemas políticos se deixarem deslegitimar pela cisão entre patrícios e plebeus, de um momento para o outro, a crise assumirá uma gravidade insuspeita. Como dizia um amigo, numa "sms" de ontem: seria engraçado ver alguns epígonos do "sim" a trabalhar numa fábrica de volantes de automóveis e a acordar todos os dias com o espectro de o patrão os mandar para a Roménia.

É VERDADE QUE...

João Gonçalves 30 Mai 05

HÁ QUEM NÃO APRENDA NADA

Esta insistência em “continuar” com a Constituição contra tudo e contra todos, afirmada por Jean-Claude Juncker., Durão Barroso e Freitas do Amaral, mostra a cegueira e a falta de espírito democrático (e na vez dele, espírito burocrático) com que se pretende impor uma solução indesejada. Por um lado, não querem perder a face, por outro, não sabem sair do sarilho em que se meteram. Mas o que mais falta é bom senso, porque qualquer pessoa que pense percebe logo que é uma atitude que só aprofundará a crise para que empurraram a Europa. Alguém pensa que sem a França, a Holanda e o Reino Unido, pelo menos, é possível haver uma União Europeia assente nesta Constituição?



Adenda: Em alguma blogosfera também perpassa um sentimento fúnebre por causa do voto francês. Não vale a pena. A "honra perdida" dos burocratas redime-se, entre nós, em Outubro, num momento verdadeiramente à nossa altura. Vital Moreira, Marcelo, Vitorino, Freitas, Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Paulo Portas, Santana Lopes, Jorge Coelho, Medeiros Ferreira, Edite Estrela, Cavaco Silva, Sócrates, Eduardo Lourenço, E. Prado Coelho, Graça Moura e tutti quanti vão partilhar o "debate europeu" - que se espera "profundo" e "esclarecedor" - com a tagarelice dos autarcas e dos candidatos a autarcas os quais, obviamente, estarão interessadissimos nesse "debate". É que a "Europa" não dá nada e o Major Valentim Loureiro, por exemplo, sempre dá ou já deu frigoríficos.

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