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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 29 Mai 05

... no Sítio do Não os resultados do referendo em França e os comentários respectivos. Como dizia o Eça, a França arde para iluminar o Mundo!

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João Gonçalves 29 Mai 05

... não vai haver o mais vago debate sobre a "Constituição europeia". Não está na mentalidade do mendigo. Enquanto de Bruxelas escorrer um vintém, e tirando meia dúzia de excêntricos, toda a gente, se votar, vota "sim". Não se morde a mão que nos dá o pão.

Vasco Pulido Valente


Sob o signo da chantagem e de verborreias apocalípticas sobre o "futuro da Europa", os franceses pronunciam-se hoje sobre a Constituição Europeia. Sabemos que o que move a maioria do eleitorado gaulês não é tanto esse "futuro" quanto o seu próprio e de meia dúzia de questões caseiras. Acontece que a Europa está em nós - franceses ou portugueses - há demasiado tempo para que não seja encarada como cosa nostra. Ao contrário do que a torpe "pedagogia" do "sim" insinua, aquilo a que eu chamaria "a consciência europeia" não se adquire automaticamente como acontece com a mera transposição jurídica, feita "a frio", das directivas e dos regulamentos burocráticos de Bruxelas. A "consciência europeia" é um dado cultural fundamental que caldeia todos os contributos de uma comunidade de nações, unidas na sua diversidade e, como tal, geradoras de um cosmopolitismo aberto ao mundo. Não é nem jamais poderá ser a concretização de uma ambição medíocre traduzida na uniformização de procedimentos para tudo e mais alguma coisa, desprovida de imaginação política e de uma visão de futuro. A "consciência europeia" - pelo menos aquela que eu defendo - não é seguramente mais feliz pela via da "administrativização" da vida dos indíviduos e das empresas, nem tão-pouco por lhes impingir, a torto e a direito, uma "norma". Esta é que é a verdadeira "Europa branca" de que fala Eduardo Lourenço no Público, num texto jesuiticamente temerário e prudentemente institucional. A "Europa branca", aliás, é excelentemente encarnada por esse modelo de "neutralidade virtuosa" que se chama Durão Barroso. É essa "Europa da boa consciência" - bem diferente da "consciência europeia" de que falei - que é hoje julgada em França, por mais que as questiúnculas domésticas pesem. Lá como cá, a Europa não está do lado de fora. A única diferença é que nós somos mais panhonhas e gostamos muito do "respeitinho", venha ele de onde vier. Tudo somado, a vitória do "não" representará a derrota da "Europa da boa consciência" e a vitória da "consciência da Europa". E isso é que importa.

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