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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O SENHOR QUE SE SEGUE

João Gonçalves 26 Mai 05

O nosso amigo Paulo Gorjão fica deliciado cada vez que brota um nome "presidenciável" do Largo do Rato. Manuel Alegre? Um excelente candidato. António Vitorino? Isso nem se fala. Soares II? Por que não? Vitor Constâncio? Outra extraordinária hipótese. Com o devido respeito, não ocorre a Paulo Gorjão que este "jogo da cabra-cega" só é revelador de uma coisa muito simples: o PS não tem a mínima ideia do que fazer com as eleições presidenciais. Eu sei que Vitor Constâncio estima a sua gravidade ao ponto de provavelmente se achar subtilmente presidenciável. Acontece que, a ser assim, o dr. Constâncio já representaria uma quarta escolha, numa falha notória de vontade própria e , por assim dizer, um "amanho". E nós podemos legitimamente perguntar: e por que não uma quinta, uma sexta ou uma dúzia delas? Para além disso, vai ficar associado a esta peripatética do défice, como uma espécie de "prefeito para a congregação da doutrina" do dito. Uma associação - pouco auspiciosa, aliás - que começou com Durão Barroso e Ferreira Leite, e se prolonga com Sócrates e Campos e Cunha. Como escreve a Ana Sá Lopes no Público, "a avaliar pelo caos que atravessa o PS em matéria presidencial, o primeiro que se apresentar corre o "risco" de ser nomeado". Quem será, pois, o "excelente candidato" que se segue?

ESQUIZOFRENIA

João Gonçalves 26 Mai 05

José Sócrates e o governo iniciaram um caminho aparentemente irreversível para o seu privado Gólgota. No dia do Corpo de Deus, a coincidência não podia ser maior. Com inteira honestidade intelectual, Sócrates confrontou o país com a sua miséria sumptuosa. Como deve ser do conhecimento dele, os miseráveis não suportam ser confrontados com a sua miséria. E, depois, algumas das "medidas", ou só produzem resultados a médio ou a longo prazo (e,aí, o governo seguramente será outro e outras serão as "medidas"), ou produzem resultados imediatos mas diminutos face à dimensão da coisa. Há, no entanto, um resultado imediato que os media, particularmente as sabidas televisões, não se cansarão de provocar. Em poucas horas, o calvário do governo passou inteirinho a ser o calvário de milhões de portugueses, indivíduos e empresas, grandes e pequenas. A "forma" como os noticiários, os artigos e os comentadores - mesmo os mais elogiosos - "puseram a coisa", suscitaram um pequeno pânico junto da opinião pública que, daqui em diante, será imparável. A aceleração vida pública registada nos últimos anos, na qual qualquer político mais desprevenido pode passar, sem saber como, de bestial a besta ou vice-versa, não concede grande margem de manobra ao PS. Ninguém verdadeiramente está disposto a ser incomodado com restrições e maçadas dos género daquelas que o primeiro-ministro explicou. Aliás, a maior parte do eleitorado que deu a maioria absoluta ao PS fê-lo no pressuposto de que não ia ser excessivamente perturbado. Da torrente castradora apresentada, escaparam as autarquias. Não terá sido por acaso. Se não foi, é de lamentar. Contudo, não será por isso que o "bom povo" não deixará de fazer notar a Sócrates, em Outubro, que não aprecia a maçada. O calvário de Sócrates já começou. Junta-se-lhe agora o nosso. Se isto não é pura esquizofrenia colectiva, então não sei o que é.

CHANTAGEM

João Gonçalves 26 Mai 05

Este é o tipo de argumento que dá imediatamente vontade de votar "não". Segundo o "paizinho" institucional da Constituição Europeia, o sr. Valery Giscard D'Estaing, o voto contrário à aprovação do Tratado Constitucional representa um "gesto inamistoso e agressivo para com os nossos parceiros que aceitaram que a presidência da Convenção fosse entregue a um francês", na circunstância, ele próprio.

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