Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

ANATOMIA DO "MONSTRO" - 2

João Gonçalves 25 Mai 05

O Estado pagou ou vai pagar 105 mil euros de indemnização a Pedro Burmester, na sequência das trapalhadas com a Casa da Música. Consta que o outro administrador "despedido", Rui Amaral, exigirá mais. Dir-me-ão: "peanuts". Sim, não é essencialmente por aqui. Tal como não é por muito "congelar" os salários de conselhos de administração de empresas públicas ou equiparadas que a coisa melhora. Isto é puro "fogo-de-vista" populista. O problema surge quando se somam estes e outros "peanuts" e se lhes junta, por exemplo, as "macro" da Educação e da Saúde.


Nota: Os putativos leitores deste blogue que possam contribuir para a "anatomia do monstro", façam favor de escrever que eu publico, desde que não seja anónimo. A minha ideia é dar exemplos muito concretos, de preferência pouco conhecidos ou divulgados, da forma como se "alimenta" o "monstro".

ANATOMIA DO "MONSTRO"- 1

João Gonçalves 25 Mai 05

Até por se tratar de uma situação que conheço razoavelmente bem, não resisto a reproduzir um post sonegado à Grande Loja, lamentando, no entanto, o anonimato do autor. Se já havia qualquer coisa de absurdo nisto há três, quatro anos, constato que não se registaram entretanto alterações significativas. Aí está um bom sítio - tão bom como outro qualquer - para começar o trabalho de "avaliação" anunciado por José Sócrates. Para além do que evidencia este texto, o Instituto de Reinserção Social possui uma pesadissima estrutura de direcção "intermédia", tipo "em cascata", absolutamente injustificada. Não é, naturalmente, "filho único". Por outro lado, e como se constatou no "caso Vanessa", as famosas "equipas de reinserção social", tantas vezes afogadas no jargão mais primitivo da "psicologia social", passam amiúde ao lado do fundamental. O IRS deve ser um dos instrumentos para a prossecução da "política criminal" do governo e não propriamente um local para elaborados "testes psico-sociais" de reduzida valia prática.
Seisvirgulaoitentaetrês

Acompanhei esta manhã a visita do Senhor Ministro da Justiça a um dos centros de reeducação de menores, geridos pelo IRS (...não, é o outro, o Instituto de Reinserção Social).O Centro conta com modelares instalações, nas quais não faltam piscina e picadeiro e estábulo com vários cavalos, para aulas de equitação. Nele trabalham 31 funcionários administrativos, de todas as categorias, desde director e sub-director a tratador de cavalos. Para além destes 31 administrativos, conta ainda com a indispensável colaboração de 9 professores, médico e até um sacerdote, embora estes últimos não trabalhem ali a tempo integral. Ao todo são mais de 50 (cinquenta) funcionários e prestadores de serviços que, diariamente, ali labutam de forma esforçada, em prol da reinserção social de jovens que, por uma razão ou por outra, se desviaram das normas sociais estabelecidas ou, como dirá o sacerdote, que pecaram. Um último pormenor: estão internados neste centro 9 (nove) jovens.

A EUROPA DOS CRETINOS

João Gonçalves 25 Mai 05

Para ler a partir do "sítio do não português", um texto "irónico" de Michel Onfray no "sítio do não francês" . Experimentem retirar as referências exclusivamente gaulesas no texto e substituam-nas pelas nossas... Entretanto soube-se que o governo francês gastou mais de 130 milhões de euros no envio de exemplares da "constituição europeia" aos seus concidadãos. Sem aparente efeito: as últimas três sondagens registam uma avanço significativo do "não" no referendo de domingo. Por cá, como não há dinheiro nem vontade política de debater o assunto, vamos "misturar" o referendo com as eleições autárquicas, o que representa uma forma manhosa e pouco séria de o enfrentar.


L’Europe des crétins

por Michel ONFRAY


Les gens qui vont voter Non à la constitution européenne sont des crétins, des abrutis, des imbéciles, des incultes. Petit pouvoir d’achat, petit cerveau, petite pensée, petits sentiments. Pas de diplômes, pas de livres chez eux, pas de culture, pas d’intelligence. Ils habitent en campagne, en province. Des paysans, des pécores, des péquenots, des ploucs. Ils n’ont pas le sens de l’Histoire, ne savent pas à quoi ressemble un grand projet politique. Ils ignorent le grand souffle du Progrès. Ils crèvent de peur.
Jadis, ces mêmes débiles ont voté non à Maastricht ignorant que le oui allait apporter le pouvoir d’achat, la fin du chômage, le plein emploi, la croissance, le progrès, la tolérance entre les peuples, la fraternité, la disparition du racisme et de la xénophobie, l’abolition de toutes les contradictions et de toute la négativité de nos civilisations post-modernes, donc capitalistes, version libérale.
L’électeur du Non est populiste, démagogue, extrémiste, mécontent, réactif. C’est le prototype de l’homme du ressentiment. Sa voix se mêle d’ailleurs à tous les fascistes, gauchistes, alter mondialistes et autres partisans vaguement vichystes de la France moisie, cette vieille lune dépassée à l’heure de la mondialisation heureuse. Disons le tout net : un souverainiste est un chien.
En revanche, l’électeur du Oui est génial, lucide, intelligent. Gros carnet de chèque, immense encéphale, gigantesque vision du monde, hypertrophie du sentiment généreux. Diplômé du supérieur, heureux possesseur d’une bibliothèque de Pléiades flambant neufs, doté d’un savoir sans bornes et d’une sagacité inouïe, il est propriétaire en ville, urbain convaincu, parisien si possible. Il a le sens de l’Histoire, d’ailleurs il a installé son fauteuil dans son sens et ne manque aucune des manies de son siècle. Le Progrès, il connaît. La Peur ? Il ignore. Le debordien Sollers, le sartrien BHL [Bernard Henry-Lévy] et le kantien Luc Ferry vous le diront.
Bien sûr le Ouiste a voté oui à Maastricht et constaté que, comme prévu, les salaires s’en sont trouvé augmentés, le chômage diminué et fortifiée l’amitié entre les communautés. Le votant du Oui est démocrate, modéré, heureux, bien dans sa peau, équilibré, analysé de longue date. Sa voix se mêle d’ailleurs à des gens qui, comme lui, exècrent les excès : le démocrate chrétien libéral, le chiraquien de conviction, le socialiste mitterrandien, le patron humaniste, l’écologiste mondain. Dur de ne pas être Ouiste...
Citoyens, réfléchissez avant de commettre l’irréparable !

O MESMO?

João Gonçalves 25 Mai 05

Não faço ideia sobre o que Sócrates vai falar. Não me interessa. Tenho a experiência, dolorosa, da contabilidade falhada de Manuela Ferreira Leite e do fogo-de-artifício de Bagão Félix. Com uma e com o outro, nem a despesa diminuiu nem a receita cresceu. Exigiram-se contas de merceeiro, "sacrifícios", "contenção" e é o que se vê. Áreas da governação, como a cultura, andaram três anos a fazer figura de corpo presente e assim, pelos vistos, vão continuar. Repito. Não me interessa o "discurso" de Sócrates. Interessa-me sobretudo perceber se, apesar das contas, ele vai governar. Se a tal "vida para além do défice" tem espaço para respirar ou se a imaginação política deu definitivamente lugar ao "homem da Regisconta" em versão "democrática". Este blogue, na sua modesta iconoclastia, espelha quase dois anos de frustração. Não queria passar os próximos dois a dizer substancialmente o mesmo.

SÓ FALTA ELE

João Gonçalves 25 Mai 05

Não temos dinheiro para "mandar cantar um cego", mas em compensação temos o Benfica, o dr. José Barroso e agora o eng. º António Guterres, convocado para Alto Comissário da ONU para os Refugiados. Os protagonistas das duas mais extraordinárias fugas às responsabilidades políticas domésticas foram bem recompensados lá fora. Espero que desta vez nos poupem à tagarelice da "honra" e do "orgulho" nacionais com que a estupidez jubilatória brindou a chegada de Barroso à Comissão Europeia. O que é que o mundo reservará para Pedro Santana Lopes? Só falta ele para a nossa glória ser absoluta.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor