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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

OUTRO?

João Gonçalves 23 Mai 05

Num local remoto do país, uns criminosos quaisquer fogem no carro da "autoridade" policial. As claques labregas do futebol vandalizam transportes públicos e agridem-se umas às outras nas ruas. Os partidos, os "parceiros sociais" e o governo estatelam-se aos pés de um défice crónico e aparentemente incontrolável. A economia não medra. Estamos a uns dias do dia 28 de Maio. Será preciso outro?

VIAGEM AO FIM DA NOITE

João Gonçalves 23 Mai 05

A partir de hoje, as carpideiras têm motivos de sobra para as habituais ladaínhas. Vitor Constâncio já rezou a sua missa encomendada de sétimo dia e Sócrates prepara-se para oficiar em conformidade. É, aliás, este o momento certo para se apresentar ao país com o seu ar charmoso de agente funerário. Não lhe faltam motivos. A economia - aquilo que verdadeiramente interessa - continua deprimida e, ou não cresce, ou avança anã. O governo, depois de uns fogachos e encerrado o capítulo futebolístico, vai certamente tentar enfrentar a realidade. Não estou, porém, certo que a realidade queira ser enfrentada. Nem aqui, nem na Europa de que tanto se fala. O que está a acontecer na Alemanha, o que pode acontecer em França depois de domingo, por exemplo, indicia muito maus tempos. A nossa endémica periferia será das primeiras a pagar a factura. E paga a dobrar. Paga por razões internas e paga pela circunstância de as duas maiores economias da União se encontrarem politicamente fragilizadas. Isto é demasiado sério para ser tratado aos berros, com demagogia ou com exercícios idiotas de recriminações recíprocas. Também não vale a pena "dramatizar". O que o país menos precisa é de "actores dramáticos" e de "reprises" medíocres. Provavelmente vão ser os mesmos a pagar a dita factura, com mais ou menos "preocupações sociais", com mais ou menos "coesão". A sorte da gente que nos governa - os de hoje, os de ontem e os de amanhã - é que, descontando meia dúzia de lunáticos, anda tudo bovinamente resignado. Esta anestesia democrática, no entanto, é perigosa. O "regime", onde quase todos os "actores principais e secundários" já passaram pelo "palco", está a caminho de uma viagem ao fim da noite na qual poderá não conhecer o caminho de regresso.

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