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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PARA O ARGUMENTÁRIO DO "NÃO"

João Gonçalves 21 Mai 05

A entrevista de Laurent Fabius ao Le Monde: "Je constate aussi que plusieurs arguments développés par le oui peinent à convaincre. "Votez oui, sinon vous n'avez rien compris au texte" : cela sent un peu l'arrogance. "Oui, ou vous n'êtes pas européen" : beaucoup de proeuropéens vont voter non. "Oui, car les autres pays disent oui" : alors pourquoi nous consulter si nous n'avons aucun choix ? "Oui, et il sera possible de renégocier ensuite" : dans ce cas, pourquoi cela serait-ce impossible avant ?" Para o Sítio do Não.

LER...

João Gonçalves 21 Mai 05

... no Esplanar o "retrato" fabuloso de António Costa Pinto, uma luminária institucional da história pátria contemporânea, devidamente apascentada pelos vários poderes, executivos e presidenciais. Num outro plano, o Expresso conta que Marques da Costa, também das bandas da "história política" e assessor presidencial precisamente para a "política", vai a Oxford proferir uma conferência sobre os tempos do governo Santana Lopes e a posição do Presidente sobre o mesmo. Talvez ele consiga explicar aos ingleses por que é que foi um dos defensores da hipótese Santana Lopes junto de Sampaio e um dos melhores "interlocutores" de Belém junto da defunta coligação e vice-versa. A "história" destes cortesãos há-de, um dia, ser contada.

PAUL RICOEUR (1913-2005)

João Gonçalves 21 Mai 05

Paul Ricoeur, um dos grandes filósofos do século XX, agora desaparecido, questionou, entre outras coisas, o papel da "consciência" como estando na base do célebre "sujeito" estudado pela filosofia tradicional, com paragem obrigatória, por exemplo, em Descartes ou em Kant. Chamou a Marx, Nietzsche e Freud, os "mestres da suspeita". Com eles, explicou Ricoeur, deu-se início à discussão sobre o "sujeito fundador","central" e "consciente" inventado pela metafísica, o "velho" sujeito senhor de si e do mundo. Marx, Nietzsche e Freud, ao trazerem para o debate um sujeito dobrado pela sociedade, pela história e pelo inconsciente, respectivamente, inauguraram uma "outra" prática filosófica, marcada pela suspeita, na qual nada pode ser tomado como definitivo e onde a contingência, a dúvida e a incerteza são as "regras" possíveis. Cristão, e ele próprio "sujeito" da história, Paul Ricoeur fica como uma das mais lúcidas vozes do pensamento contemporâneo - indispensáveis os seus contributos recentes sobre a justiça e sobre "o justo", a propósito de casos judiciais conhecidos - justamente quando o "pensamento" passa por um período de ocaso e de infantilização.

DE RABO NA BOCA

João Gonçalves 21 Mai 05

A questão "Campos e Cunha pode sair" merece maior atenção e menos ironia. De certa maneira, Vasco Pulido Valente, nos seus artigos no Público de ontem e de hoje ("Uma questão política" e "Sete luminárias", sem links disponíveis), explica o essencial. Em 1983, quando ainda não pertencíamos à então Comunidade Europeia, Mário Soares e Mota Pinto formaram um governo, dito de "bloco central", para "salvar" a economia e as finanças públicas. Soares disse ao seu ministro das Finanças, Ernâni Lopes, para fazer o que era preciso fazer, doesse a quem doesse, que ele, Soares, "cobria" politicamente tudo. Assim aconteceu. E nas eleições de 1985, o PS perdeu mais de 20 por cento do seu eleitorado e Mário Soares começou as presidenciais de rastos. Já não estamos em 1983, não nos espreita o FMI (agora chama-se Comissão Europeia), mas a situação tem demasiadas semelhanças. Ali como hoje, trata-se de uma questão de governabilidade do país, ou seja, de uma questão política. Exibir bons académicos, excelentes contabilistas e luminosos "técnicos" não chega. Não só não chega como não resolve praticamente problema nenhum. O ministro das Finanças, num quadro como o nosso actual, tem de ser porventura o mais político dos ministros, logo seguir ao primeiro-ministro. Cavaco Silva chegou lá rapidamente, ainda com Sá Carneiro. O poder "absoluto" que exigiu e obteve posteriormente, mostra que até ele, o supremo "tecnocrata", intuiu que tudo passava pela "política". Por isso, a aparente força da independência "política" de Campos e Cunha, acaba por ser sua maior fraqueza. Manuel Pinho - já se percebeu - não conta. E José Sócrates, por mais que se esprema, não é Mário Soares. Estamos, pois, de novo, com a "pescadinha de rabo na boca".

SAÍDAS

João Gonçalves 21 Mai 05

Campos e Cunha pode sair? Se houvesse eleições legislativas amanhã, quem não saía de casa era eu.

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