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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

CAVACO

João Gonçalves 20 Mai 05



Passaram 20 anos sobre a mais célebre rodagem de um automóvel feita até hoje em Portugal. No Casino da Figueira da Foz, local de paragem desse automóvel, a figura esquálida do seu proprietário impôs-se à canzoada “laranja” em busca de um chefe. Meses depois, em Outubro, o praticamente desconhecido professor de economia conquistava o lugar de primeiro-ministro. Seguiram-se duas maiorias absolutas que, para o melhor e para o pior, mudaram a “vida material” do país. Sem pergaminhos “históricos” na “luta” pela democracia, arrostando com o ódio de classe da “esquerda caviar” e da “direita colorida”, Cavaco Silva domesticou ambas durante dez anos. Tinha a seu crédito um perfil de autoridade irrepreensível, sustentada no voto popular maioritário, algo que a democracia portuguesa ainda não tinha experimentado. No final da década, agastado com o nepotismo partidário que floresceu à sua volta, foi-se embora. Os honrosos 46 por cento que obteve nas presidenciais contra Sampaio, em 1996, representaram a gratidão possível num território, a política, onde ela é quase sempre “letra morta”. Neste momento, e se o quiser, Cavaco está a uns escassos meses de ser eleito Presidente da República. No poder e fora dele, aprendeu. Quando chegou à Figueira da Foz era uma espécie de “anti-político”. Hoje é um dos poucos políticos com a seriedade e o prestígio imaculados. Goza de uma rara respeitabilidade geral que meia dúzia de lugares-comuns idiotas e recorrentes não chegam a ferir. Tem a vantagem, sobre os seus adversários e inimigos, de saber o que quer. Eles só sabem que não querem Cavaco. Como “alternativa”, convenhamos que é confrangedora. Na hora da verdade, não deixarão de lhe apontar as “amizades”, os “apoios” e o “passado”, em nome de um “combate ideológico” anacrónico no qual o país não está minimamente interessado. Cavaco, no entanto, já paira sobre tudo isso e há muito tempo. Os “sinais” mais recentes mostram que, apesar de Sócrates, a vida pública permanece deficitária de uma austera credibilidade democrática. A hipótese presidencial de Cavaco é o lance seguro para a garantir.

O "SR. EUROPA"

João Gonçalves 20 Mai 05

Numa rápida passagem pela periferia, José Manuel Barroso declarou, com aquele ar de que "não-é-nada-comigo", que "Portugal tem mais margem para a consolidação orçamental" e que era preciso "determinação" para levar a cabo o que for preciso para a garantir. À beira de completar-se um ano sobre a sua irresponsável fuga, Barroso vem agora "dar lições" ao pagode como "Sr. Europa". Também por causa deste "Sr. Europa" - que vai aparecer em tudo o que é palanque a favor do "sim" - muita gente será tentada a votar "não" no referendo à Constituição Europeia. Ele representa dignamente o que há de mais detestável em Bruxelas. E nós, pelo menos, não temos quaisquer desculpas para não o conhecermos. Ou será que já se esqueceram dele? Pobre, pobre Europa...

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