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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

É A VIDA

João Gonçalves 18 Mai 05

A "auto-estima" nacional, já de si um bocadinho frouxa, foi certamente abalada pelo rude golpe da Alvaláxia. Depois de tanto folclore "nacionalista" durante todo o dia, os compatriotas de Putin acabaram da melhor maneira, com uma taça ao colo. São péssimas notícias para Sócrates que contaria certamente com a bola para temperar a "rédea curta" que terá de anunciar em breve aos incréus. E também quando os primeiros "erros de casting" do governo se começam a pressentir. Como dizia o ex-favorito, é a vida.

O SÍTIO DO "NÃO" II

João Gonçalves 18 Mai 05

Seguindo a sugestão de JPP, relembro um texto de Novembro de 2004 sobre a Constituição Europeia. Ainda "havia" Pedro Santana Lopes, Durão Barroso tinha acabado de passar um mau bocado na aprovação da sua Comissão e o referendo estava previsto para agora e não em Outubro próximo, como parece que irá acontecer.

NÃO, OBRIGADO
Circunspectos e desconfiados, os chefes de estado e de governo da União Europeia foram a Roma subscrever a “Constituição europeia”. Apesar das poses de circunstância e da gravitas exigida pelo momento, ninguém ignora que este transe não é seguramente dos melhores. Mesmo assim, não há plumitivo que não manifeste a sua “fé” neste extraordinário texto jurídico-político supostamente destinado a elevar a nossa condição de “cidadãos europeus” e a glorificar a burocracia de Bruxelas. Entre nós, nem mesmo o dr. Sampaio resistiu a exibir uma prosa melancólica nos jornais em defesa da “Constituição”, enquanto Santana Lopes, pouco à-vontade, se estreava nestas lides e José Sócrates apelava vigorosamente ao voto positivo em futuro referendo. Tudo isto se passou no rescaldo da infeliz prestação de Durão Barroso por causa da sua Comissão. Ao ceder ao “politicamente correcto” perante um PE tão reforçado pelas disposições do novo tratado como diminuído no perfeito equívoco da sua representatividade política, Barroso ficou prisioneiro de um sistema que, contrariamente ao que se supõe, não augura nada de bom para o futuro próximo da Europa. Na realidade, a “Constituição europeia”, um produto exclusivamente gerado entre os salões das cimeiras e os corredores anódinos do funcionalismo europeu, pouco ou nada diz ao “cidadão europeu” que tanto é citado. Aliás, a construção de uma “Europa virtual”, feita no sossego dos gabinetes e entre duas ou três chamadas de telemóvel, deverá custar caro aos seus virtuosos promotores, já que a “cidadania europeia” permanece na mais profunda ignorância em relação ao que efectivamente se passa. Também é verdade que as actuais lideranças políticas da Europa não ajudam ao exercício. A elas cabe a difícil tarefa de tentar convencer os respectivos cidadãos nacionais da bondade do tratado que subscreveram. Porém, que tipo de confiança pode gerar nas opiniões públicas nacionais e europeia a generalidade das criaturas que compareceram em Roma na semana passada? Suponho que muito pouca. A política doméstica já prepara um “consenso” albanês para o “sim” no referendo anunciado para a Primavera de 2005, sob o alto patrocínio do Senhor Presidente da República. Os poucos que ousarem opor-se a este artificialismo doentio, em nome de uma ideia diferente e verdadeiramente cosmopolita da Europa, deverão ser sumariamente considerados como anti-patriotas mal formados ou marginais enfurecidos. Eu, pelo menos, não me importo.

O SÍTIO DO "NÃO"

João Gonçalves 18 Mai 05

Em boa hora, José Pacheco Pereira lembrou-se dos defensores do "não" à Constituição Europeia. sobretudo dos que não são nem "pc's", nem "bloquistas" nem outra coisa qualquer, mas que se preocupam com os destinos da Europa e do país nela. Criou um blogue, O Sítio do Não, para nele se juntarem os que entendem que vale a pena a blogosfera "politicamente incorrecta" nesta matéria, se pronunciar. JPP justifica assim esta iniciativa:


Todos aqueles que querem votar “não” e não se revêem no “não” do PCP e do BE à Constituição Europeia, de que estão à espera para organizar um movimento que explique as suas razões aos portugueses? Ou o derrotismo face à gigantesca coligação do “sim”, com todos os partidos e todos os meios, já impera? Os partidários do “sim” usam toda a sua força institucional. O Presidente da República já anda em campanha pelo “sim” nas escolas, mostrando que nesta matéria não se importa de ser presidente só de uma parte dos portugueses. Sócrates, Vitorino, Cavaco, Marcelo, Marques Mendes e Portas virão defender o “sim”. O dinheiro da Comissão e do Parlamento Europeu já flui para encartes, artigos, panfletos e colóquios com os pódios ou as audiências cuidadosamente equilibrados para se parecer que se debate, quando não se debate, ou, quando se debate, não haver exposição pública dos argumentos do “não”. Está na hora de se exigir à rádio e à televisão públicas um acesso igual aos defensores do "sim" e do "não", como é suposto numa democracia.Senão tudo será, como já é, prudente, sottovoce, regrado e controlado para que o “sim” ganhe pela porta de trás, sub-reptício, a reboque de umas eleições autárquicas em que, está-se mesmo a ver, a questão europeia vai ser muito discutida. Está pois na altura de criar um movimento, um fórum de debate público, um ajuntamento, seja lá o que for, para explicar porque razão se deve pensar duas vezes antes de assinar de cruz um tratado cujas implicações podem ser trágicas para quem deseja uma Europa unida mas uma Europa de nações e não uma híbrida construção transnacional, pouco democrática, subordinada a um directório franco-alemão e a uma burocracia internacional que funciona, como todas as burocracias, para aumentar o seu poder.

E conclui:


Há um conjunto de blogues e de co-autores de blogues que são a favor do “não” à Constituição Europeia. Não têm as mesmas razões, nem os mesmos argumentos, mas o movimento do “não” tem que ser agregador, não sectário e ter fronteiras largas. A sugestão que faço é criar-se um blogue do “não” para que todos contribuam começando um debate organizado, mesmo que o façam duplicando aí as notas que originalmente publicam nos seus sítios. Para facilitar criei um blogue, SÍTIO DO NÃO, como sugestão. Não posso, no entanto, garantir aí mais do que colaboração, nunca a gestão solitária do sítio para que não tenho disponibilidade de tempo. Entregarei a casa e as chaves a quem queira seriamente tratar do assunto, ou encerrá-lo-ei caso apareça melhor iniciativa com o mesmo fim.

VALE A PENA?

João Gonçalves 18 Mai 05

Às primeiras horas do dia, não há praticamente nenhum meio rádio e televisivo que não bombardeie com o jogo da bola da noite. Há "reportagens" nos "pontos" mais inverosímeis e com as perguntas mais idiotas, como se todos e em todo o lado tivéssemos a obrigação de acompanhar o desenlace de uma taça de futebol. Não adianta dourar a pílula com gente desta. E é esta mesma gente que se "indigna" quando lhe pedem sacrifícios. Será que, com uma raça destas, vale mesmo a pena alguma coisa?

UMA BIOGRAFIA

João Gonçalves 18 Mai 05

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