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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O PIPI DOURADO

João Gonçalves 16 Abr 05

Dantes, era apenas aos fins-de-semana. Quando muito, havia uma ou outra transmissão às quartas-feiras. Agora, a "futebolização" da vida colectiva é uma praga que nos atinge praticamente todos os dias. Há sempre uma taça qualquer em disputa a justificar jogos no mais remoto lugarejo de Portugal ou numa das maiores cidades europeias. Os horários "nobres" das televisões generalistas são ocupados com a bola, numa manifestação sadia do princípio "democrático" de que devemos dar ao povo aquilo que o povo gosta verdadeiramente de ver. Nos últimos anos, a "futebolização" vinha invariavelmente associada ao nome de Pinto da Costa e aos sucessos em cadeia do seu glorioso clube. Ao que parece, a exportação do sr. Mourinho, outra fantástica eminência nacional, fez abater sobre o clube do sr. Costa e sobre ele próprio as maiores catástrofes e as mais nefandas decepções. Como se não bastassem as derrotas no relvado, o poder judicial aventa a hipótese de, a mando de Pinto da Costa, alguns árbitros terem sido corrompidos com prebendas, algumas das quais com duas pernas e a falar brasileiro, gentilmente servidas num quarto de hotel. Não faço ideia do que vai sair do processo "Apito Dourado", se é que vai sair alguma coisa. No entanto, estas peripécias e outras também conhecidas, são reveladoras do mundo sórdido, rasca e digno de telenovelas mexicanas que caracteriza grande parte da actividade futeboleira no nosso país. Por trás de uma fachada de respeitabilidade "cívica" e "local" dos grandes homens da bola, apascentada interesseiramente por muita gente da política e da chamada "sociedade civil", escondem-se muitas vezes as mais profundas misérias de carácter. A "queda" mediática de Pinto da Costa é apenas um sintoma dessa miséria. É evidente que, até prova em contrário, ninguém é culpado de nada a não ser da "imagem" que, involuntariamente, fica do futebol português. Das glórias do Euro 2004 já pouco sobra. E Pinto da Costa, quer se goste dele ou não goste, é um brilhante dirigente desportivo. Merecia, apesar de tudo, melhor destino do que ver o seu nome envolto em perfume barato e em lingerie de terceira categoria, tudo no preciso momento em que o seu clube se afunda paulatinamente nos estádios.

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