Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

MELHOR É IMPOSSÍVEL, VERSÃO 2005

João Gonçalves 21 Mar 05



MELVIN:
That's not true. Some of us have great stories... pretty stories that take place at lakes with boats and friends and noodle salad. Just not anybody in this car. But lots of people -- that's their story -- good times and noodle salad... and that's what makes it hard. Not that you had it bad but being that pissed that so many had it good.


(diálogo do filme As Good as It Gets (Melhor é Impossível , de James Brooks, 1997, com Jack Nicholson e Helen Hunt)

Detesto o Inverno. Esperei pacientemente por este dia "um" da nova estação. Um desastre. (...) Como hoje é dia de poesia e de primavera, eu tinha pensado em não fugir ao cliché de aqui colocar poema. Porém, em dois ou três parágrafos de Miller redescobri mais poesia do que em estafadas rimas pobres para consumo fácil. Como eu, a vida e os deuses andamos de costas uns para os outros, como o mundo se insinua volátil e violento, como o "outro" já não é o que era e a entrada da primavera ainda menos, ficamos com as palavras de Miller, um escritor a que nunca nos devemos cansar de voltar. Melhor é impossível.

A alegria é como um rio: corre incessantemente. Parece-me ser esta a mensagem que o palhaço procura transmitir-nos: deveríamos participar no fluxo e movimento contínuos, não pararmos para reflectir, comparar, analisar, dominar, mas continuarmos a fluir, sempre e sempre como a música. Tal é o dom da renúncia, que o palhaço realiza simbolicamente. A nós compete-nos torná-lo real.
Em nenhuma época da história da humanidade esteve o mundo tão cheio de sofrimento e de angústia [esta prosa é de 1948, mas podia ser de hoje...]. Contudo, aqui e além, encontramos indivíduos que não estão contaminados, manchados pela dor comum. Não são criaturas sem coração, longe disso! São indivíduos emancipados. Para eles, o mundo não é que nos parece. Vêem-no com outros olhos, dizemos que morreram para o mundo. Vivem, no momento que passa, com toda a plenitude, e a radiação que deles emana é um perpétuo hino de alegria.(...) Todas estas abençoadas almas que me fizeram companhia, testemunharam a terna realidade da sua visão. Será nosso, um dia, o seu mundo quotidiano. De facto já é nosso - simplesmente, estamos demasiado empobrecidos para lhe reivindicar a propriedade.


Explicação: Há um ano atrás, precisamente neste mesmo dia primeiro da Primavera, eu escrevi este "post" do qual retirei este excerto. Expurguei-o da contingência daquele domingo - era um domingo, em 2004 - e, ao lê-lo agora, verifico que, se alguma coisa mudou em mim, foi seguramente para pior. Na altura dei-lhe o título do filme ao qual fui buscar a epígrafe. E a citação de Henry Miller continua a fazer todo e um mesmo sentido. Um ano depois, e apesar de continuar fiel ao propósito "I am not my own subject", não posso deixar de me questionar, como Jack Nicholson no filme: "what if this is as good as it gets?"

POSE

João Gonçalves 21 Mar 05

O dr. Portas, agora na modesta qualidade de deputado da nação, abandonou o seu ar empertigado de homenzinho de Estado, para voltar a dar lugar ao truculento Paulo Portas doutros tempos. Lançou uma diatribe contra o ministro dos negócios estrangeiros que o deixou manifestamente contentinho. O "tom" a que recorreu representa a sua verdadeira "pose". A outra, a dos últimos três anos, muito lhe deve ter custado a aguentar. Como diria o "nosso" Pacheco Pereira, quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré.

QUEM MANDA

João Gonçalves 21 Mar 05

Se eu puder partir do princípio - de que efectivamente parto - que o registo discursivo utilizado pelo primeiro-ministro na apresentação do programa do governo não resulta de um mero exercíco de retórica, então tenho que aplaudir o propósito de "chatear", com substância, alguns interesses corporativos. É bom que, de vez em quando, o poder político democrático mostre quem manda. É para isso que serve a autoridade democrática, uma coisa que nos últimos três anos andou algo abalada. Por exemplo, a redução das férias judiciais para o mês do comum dos mortais é algo que vai nesse sentido.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor