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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

NOMADISMO

João Gonçalves 6 Mar 05


Hotel lobby, de Edward Hopper

O "lobby" de um hotel é um dos meus sítios favoritos e dos poucos de onde raramente me apetece sair. Os nómadas como eu sentem-se bem no seu anonimato confortável. É uma espécie de espaço de convívio egoísta: estar com outros sem ter que os conhecer ou aturar. Puro movimento circunstancial.

LER OS OUTROS

João Gonçalves 6 Mar 05

... no Blasfémias, de CAA, "Palhaçada". Não é necessário dizer mais nada.

Secretário-Geral do CDS vai enviar o retrato de Freitas do Amaral para o Largo do Rato.
Não é a primeira vez que esse partido tenta apagar parte da sua história. Mas este gesto, acima de todos os anteriores, revela uma irreprimível tendência para a confusão entre a actividade política e o comportamento circense.

O LIVRO

João Gonçalves 6 Mar 05



Ring magic is different from the magic of the theater, because the curtain never comes down - because the blood in the ring is real blood, and the broken noses and the broken hearts are real, and sometimes they are broken forever. Boxing is the magic of men in combat, the magic of will, and skill, and pain, and the risking of everything so you can respect yourself for the rest of your life. Almost sounds like writing.


(Million Dollar Baby, Stories from the Corner, de F. X. Toole)

O "KAIROS"

João Gonçalves 6 Mar 05

1. Os Gregos, na sua infinita sabedoria, usavam o termo kairos para designar a coincidência entre um "bom argumento" e a ocasião certa para o expôr. Em menos de vinte e quatro horas, dois quase ministros de José Sócrates, o das finanças e o dos negócios estrangeiros, apareceram em público "a falar", descurando o kairos. O que teve de avisado o silêncio do primeiro-ministro indigitado no processo de constituição do governo, faltou, na primeira oportunidade, a Campos Cunha e a Freitas do Amaral.
2. Mesmo que o pense e o venha inevitavelmente a pôr em prática, o propósito anunciado de aumento de impostos não foi seguramente a melhor maneira de Campos Cunha se "apresentar". Apesar de se tratar de uma competente escolha, Campos Cunha não é manifestamente um "político". Ao contrário do que muitos defendem, a pasta das finanças - como praticamente todas as pastas ministeriais - é um cargo eminentemente político e de gestão política. Para tratar da "intendência", os ministros - que definem a "estratégia" e a "política" dos seus sectores - devem depositar a confiança "técnica" nos seus secretários de Estado - também eles gestores "políticos", mas num nível distinto -, nos membros do seu gabinete e nos seus directores-gerais. O que um ministro faz primeiramente é "política" e não contas ou outra coisa qualquer. Ao colocar a hipótese de aumentar os impostos, banalizando numa entrevista radiofónica uma assunto sério (a consolidação orçamental), Campos Cunha revelou falta de "traquejo" político que, no curto e no médio prazo, lhe poderá ser fatal.
3. Já o caso de Diogo Freitas do Amaral é ligeiramente diferente. Pode dizer-se que Freitas estava "mortinho" para voltar ao protagonismo político, fosse ele qual fosse. Tal como na altura achei perfeitamente natural o seu apoio à maioria absoluta do PS e farisaicas as críticas que lhe dirigiram, da mesma forma encaro com tranquilidade a sua ascensão a ministro de Estado e a terceira figura do governo. Não obstante o papel que terá que desempenhar junto de um primeiro-ministro com uma "frente externa" ainda debilitada, Freitas verdadeiramente "não aquece nem arrefece", mau grado se ter em excessiva boa conta. De facto, pareceu-me perfeitamente deslocada a declaração sobranceira e paternalista que Freitas fez ao Expresso, segundo a qual terá "esperado" para ver qual seria a composição do governo e, só depois de concluír que era "boa", é que aceitou "dar a cara". O que pensará o chefe do governo desta "avaliação" do professor?
4. A melhor "cabeça" política que está no governo, imediatamente abaixo de José Sócrates, é António Costa. Contudo, sozinho não opera milagres. Estes dois exemplos de "anti-kairos" político, e o passado recente de má memória, recomendam que não se desvalorize a coordenação política do executivo. Sobretudo quando o governo praticamente não dispôe de nenhum período de "graça", algo que já se sabia e que, em menos de 48 horas depois do seu anúncio, se confirma amplamente. Não escondo a minha condição de apoiante deste executivo e, como tal, o meu direito a ser mais exigente com ele do que alguns dos seus apressados críticos. É um dever de consciência e de cidadania. Até para evitar que se entregue gratuitamente o kairos aos adversários mais atentos e aos inimigos de má-fé.

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