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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

MANUELA

João Gonçalves 21 Fev 05

Numa outra minha encarnação, fiz parte de uma lista para a assembleia metropolitana de Lisboa do PSD, cuja candidata a presidente da distrital respectiva era Manuela Ferreira Leite. Ganhámos. Tenho a maior consideração intelectual e pessoal por Ferreira Leite. Nunca me pareceu, no entanto, que fosse uma boa escolha para presidente do grupo parlamentar - como foi -, nem julgo que seja uma boa aposta para a liderança agora. Ferreira Leite percebe de "intendência", não é uma "política". O PSD precisa de um fortíssimo "antídoto" político anti-populista e não de quem sabe, e bem, fazer contas.

VER

João Gonçalves 21 Fev 05

... António Palolo "posted" no Para lá de Bagdade. Um dos mais belos livros de poesia de Joaquim Manuel Magalhães, de que ele se "desfez" mais tarde, tinha este título. Os poemas que entendeu guardar ficaram neste livro, Consequência do Lugar, da Relógio D'Água.



O MAL QUE FICA POR BEM

João Gonçalves 21 Fev 05

Este ontem via Cavaco a chegar ao BE, mas já começou a "manobrar". É um dos piores exemplos do caciquismo partidário e autárquico. Convinha que os membros das distritais do PSD que ainda possuem uma réstia de carácter, se dessem ao trabalho de ler com atenção e em detalhe os resultados da eleição de 20 de Fevereiro. E, depois, que a maior parte deles se demitisse. O grupo parlamentar eleito é outra dor de cabeça para descobrir formas de vida inteligente lá dentro . Em tese, Santana Lopes pode manipular esta conjunto de bonzos e de derrotados oportunistas por ele escolhidos. No conselho nacional, agora que o poder se foi, alguns começarão a torcer o nariz. E Lopes quer chegar ao congresso com as costas em chaga das "novas" facadas. Lá fará o costumado número circense, aumentando a sua privada lista negra. A eleição de delegados passa, por isso, a ser um acto fundamental para o futuro próximo do PSD, já que me parece não ser possível recorrer imediatamente a "directas", como deveria acontecer. Até lá - e vistas as coisas pelo lado da nova maioria - Santana Lopes é um mal que fica por bem.

POR QUE SERÁ?

João Gonçalves 21 Fev 05

... que eu não estou tão "entusiasmado" como devia? Será que não "mudei"? Será por me ocorrer a frase de Steiner, we have no more beginnings? Será por andar a reler o Cioran que recomenda bordéis e visitas a cemitérios em tempos de "crise" interior? Será por andar meio coxo? Será por não ser nem "amigo" nem "camarada"? Será por ser um mero cidadão, independente no voto e no discernimento? Será por a falta de vergonha continuar impunemente solta na Lapa? Será por recear os "patos-bravos" que vão inevitavelmente aparecer? Será por detestar segundas-feiras? Será, afinal, que continuo o mesmo pessimista, que é, como dizem os russos, um optimista bem informado? Por que será?

MORAL DAS HISTÓRIAS

João Gonçalves 21 Fev 05

1. Quem se lembra das manifestações de rua na sequência de actos eleitorais significativos, deve olhar para as "comemorações" em curso com complacência. E - nunca é de demais lembrá-lo - este acto eleitoral era realmente significativo. Até Marcelo Rebelo de Sousa esteve "murcho", provavelmente a ensaiar um registo "mais sério" na RTP. A primeira vez que o PS chega à ambicionada maioria absoluta, até aqui um exclusivo de outros, não me parece que tenha sido celebrada folcloricamente. Isto é um duplo sinal. O primeiro, menos auspicioso para o PS, significa que a "maioria silenciosa" que deu a vitória a Sócrates pertence mais ao "centro" circunspecto do que propriamente à "esquerda", a "moderna" ou a mais antiga. Um "centro" que muito claramente rejeitou Santana Lopes e que confiou, por ora, em Sócrates. A subida dos outros partidos de "esquerda" demonstra isto mesmo. O segundo sinal, mais positivo, decorre da forma civilizada e tranquila como a cidadania recebe as mudanças. Tirando os militantes naturalmente entusiasmados, não se deu particularmente por panelas a bater nas varandas e por carros a buzinar histericamente pelas ruas. O que espera a governação do PS em maioria é algo demasiado sério para se compadecer com carnavais serôdios ou enquistamentos partidários desajustados.
2. Santana Lopes continuou igual a si próprio. Persiste em conduzir alegremente o PSD um pouco mais para o abismo. O lance do congresso extraordinário deixou no ar aquele maravilhoso perfume de ambiguidade que é a essência do homem. É óbvio que ele quer o congresso para se recandidatar à liderança e, eventualmente, tentar Belém. O que ele não quer decididamente é Cavaco. O PSD só precisa entender que, a partir de agora, os melhores aliados de Santana estão fora do partido e no pequeno clã de estimação do "santanismo", numa oportunista aliança. Basta perguntar simplesmente a quem é que realmente interessa a permanência de Lopes à frente do PSD e a sua irrelevância como grande partido nacional. Se Santana não tiver o acesso a tempo, que o congresso faça pois o favor de o remover. Não há desculpas. Já sabem quem ele é: um perdedor.
3. Paulo Portas, por uma vez, esteve à altura daquilo que lhe aconteceu.
4. A outra "esquerda" não promete vida fácil a José Sócrates. Não é correcto "somar" as "esquerdas". O PS não ganhou por desbravar território à esquerda, relembro-o. Isso faz toda a diferença.
5. Cavaco Silva tem, a partir de hoje, e se quiser, um papel federador e nacional incontornável. Que não cabe, obviamente, num qualquer recinto de congresso partidário.

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