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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

PORTAS NA TENDA

João Gonçalves 16 Fev 05

No quentinho da sua tendinha desmontável, Paulo Portas falou de contratos assinados pelo ministério da Defesa por causa da Bombardier e das chaimites. Das feiras para a tenda, passando pelo austero edifício da Avenida da Ilha da Madeira, Portas arruma convenientemente tudo no mesmo saco. Costuma juntar as OGMA e os estaleiros de Viana do Castelo. No fundo, Portas quer assegurar a respeitabilidade definitiva da sua pequena seita. Diz ele que quaisquer dez por cento servem. E espreme-se para a "classe média" depois de ter passado os últimos anos a desprezá-la. Só lhe interessa verdadeiramente estar no poder. Ou melhor, continuar. Portas exibe-se na tenda, nos estaleiros ou nas feiras como se viesse doutra galáxia para salvar a pátria com os seus risíveis mapas azuis e amarelos. Convém, pois, no domingo, demonstrar-lhe pelo voto que ele já cá estava há três anos e que não se recomenda de todo. Para, de uma vez, guardar a tenda e meter, por uns tempos, a sua irritante " viola no saco".

A BABOSEIRA DO DIA

João Gonçalves 16 Fev 05

Saiu da boca do primeiro-ministro. Ao comentar a percentagem avançada pelo INE para o desemprego no último trimestre de 2004 -7,1%-, Santana Lopes remeteu tudo para Belém e para a dissolução do Parlamento. Segundo ele, os investidores e os empresários assustaram-se com a instabilidade criada por Sampaio - conseguiu dizer isto sem se rir - ao decidir convocar eleições. Para Lopes, parece que a instabilidade tem dois "lados". O "lado bom", que é o dele, e o "lado mau", que pretence a Sampaio e aos inúmeros "eles" que atormentam Santana Lopes. Será que, nem na noite das eleições, Santana vai ser capaz de se olhar ao espelho e ver ali reflectido o único rosto plausível da instabilidade?

UM LIVRO

João Gonçalves 16 Fev 05

E.M.Cioran costumava dizer que só se domina verdadeiramente um livro depois de o ter lido umas seis vezes. Razão pela qual ele preferia "reler" a "ler". Vem isto a propósito de um autor, já aqui mencionado, que é seguramente um dos mais estimulantes e "cépticos" historiadores do nosso tempo. Refiro-me a A.J.P Taylor. Quem esteja interessado em percorrer o período, aliás fascinante, da história da Europa a partir da segunda metade do século XX, passando pelas duas guerras subsequentes e pelas biografias dos líderes que marcaram esses períodos, terá forçosamente de recorrer ao punho escorreito e tantas vezes cínico de A.J.P Taylor. O seu livro acerca das "origens da 2ª Guerra Mundial" continua, por exemplo, a ser incontornável. Sem o objectivo de ser lido de fio a pavio, recomendo a colectânea de ensaios, editada uns anos após o seu desaparecimento em 1990, sob o título From the Boer War to The Cold War - Essays on Twentieth-Century Europe (Penguin Books). Aqui se encontram recensões de livros e pequenos textos autónomos que, nalguns casos, dão origem a pequenas e curiosas biografias dos visados nos livros que Taylor analisa. A par dos políticos ingleses, encontramos peças muito interessantes sobre Mussolini, Trotsky ou Hitler. São escritos que abrangem praticamente toda a vida activa deste eminente professor de história e que nos dão um retrato simultaneamente realista, irónico e "humano" de criaturas que marcaram, por boas e más razões, um tempo desaparecido e, muitas das vezes, perdido. It is difficult not to be sorry for Mussolini, a pretentious scoundrel, caught up by reality. The truly contemptible figures were those of high culture and morality who were taken in by him, in Italy and elsewhere. I prefer Mussolini, commending his speeches as having resolved all the problems of modern society: "there is nothing left to discover, no question left unanswered".

VEXAME

João Gonçalves 16 Fev 05

"Furtei", ao País Relativo, a "carta" que Pedro Santana Lopes dirigiu aos eleitores. Para recorrer a uma vulgaridade, trata-se da famosa "cereja" que faltava no bolo. É uma peça lacrimejante, assente na conhecida dicotomia do "eles" e do "eu" coitadinho. Pérolas como esta, "tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários.", são bem elucidativas do que se trata. E começa por "ameaçar" o leitor, com uma comparação de mau gosto: "Não pare de ler esta carta. Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal." A cabeça de Santana Lopes já está tão perdida que se permite exercícios deste estilo. Qualquer militante ou simpatizante do PSD deve olhar com atenção para estas linhas. E perguntar-se se porventura em 30 anos, alguma vez, mesmo nos seus piores momentos, o partido passou por semelhante vexame.


"Caro(a) Amigo(a), Não pare de ler esta carta. Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas. Portugal precisa do seu voto para fazer justiça. Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem. Você não costuma votar, e não é por acaso. Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar. E quem são eles? Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma. Incluindo a velha maneira de fazer política. Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso? Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema. Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários. Ajude-me a fazer-lhes frente. Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço! Por todos nós, Pedro Santana Lopes"

ATÉ AO FIM

João Gonçalves 16 Fev 05

Os tão desejados debates estão terminados. O último serviu apenas para beneficiar os partidos "laterais", o BE e o PP, e para o argumentário populista do dueto da especialidade da ainda coligação. Não trouxe valor acrescentado para a almejada maioria absoluta e não suavizou a má imagem de um governante em queda praticamente livre. Se quisermos, Sócrates apresentou-se "cavaquista", seco, directo e eficaz. E Santana, apesar de alguns números e de alguns papéis, mostrou um ar "apardalado", longe da famosa "garra combatente" que, de acordo com os especialistas, o iria tornar temível em campanha. Por tudo isto, julgo que a escolha fundamental desta eleição - chegar a uma maioria -, continua em cima da mesa, para "bingo", até ao fim.

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