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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

IRMÃ LÚCIA (1908-2005)

João Gonçalves 13 Fev 05

Sem que o desejasse, a Irmã Lúcia entrou na campanha eleitoral. Com aquele belo sentido de oportunidade a que nos habituaram, os drs. Santana e Portas - até mais ver - suspenderam as actividades de campanha por causa do passamento da distinta carmelita. O laicismo inerente à vida política democrática ainda está longe de fazer o seu caminho natural entre nós. Os últimos anos de "progresso" não nos tornaram menos supersticiosos. Contou-me um amigo que a Irmã Lúcia ultimamente apreciava a companhia de um computador, algo que já não dispensava. Na sua humilde condição, Lúcia afinal dava valor à "qualificação" e à "modernidade". Isto é que devia ser a lição para os seus apressados "viúvos" espirituais que, pelos vistos, não aprenderam nada. Paz, portanto, à sua alma.

MUDAR

João Gonçalves 13 Fev 05

Ler, no País Relativo, "Alternativa Pântano", de Pedro Adão e Silva: "O que os portugueses não querem que voltem são as circunstâncias políticas em que decorreu essa governação [ a de Guterres]. É isso, mas não é apenas isso. O PSD, à falta de uma ideia para exibir ou de um propósito para convencer, apostou nos outdoors negativos. Recorreu aos rostos de ilustres militantes do PS para nos questionar acerca de "fugas" e de "voltas". Foi relativamente feliz nalgumas escolhas. Não acredito, de facto, que o país suspire por Fernando Gomes, Edite Estrela ou Pina Moura. Ou que se comova excessivamente com o sempre piedoso Guterres. Quem quer uma "mudança" e uma maioria absoluta, deseja naturalmente "outra coisa". Uma maioria equivale a uma enorme responsabilidade. Sócrates sabe isso e certamente não estará disponível para brincar "às casinhas". A "mudança" que promete implica acabar com a espiral de esquizofrenia política que invadiu a vida pública portuguesa, a partir de meados de 2000, e cujo acmê se atingiu com Santana Lopes. Os principais indutores dessa patologia cidadã estão perfeitamente identificados pelos portugueses, convém não o esquecer. Mudar significa saber isso e, por uma vez, acabar com ela.

CRIADORES E CRIATURA

João Gonçalves 13 Fev 05

Santana Lopes "virou-se" contra a comunicação social. Com um ar perfeitamente alucinado, rouco e quase armado em "exterminador implacável", o primeiro-ministro, seguramente num dos seus melhores momentos como "estadista", esteve a um passo de pedir um auto-de-fé para os jornalistas. As ignaras massas rosnaram com ele. Chegou a prometer "provas" do crime mas alguém terá tido o bom senso de o aconselhar a não excitar ainda mais as suas nervosas hordas nortenhas. Santana Lopes é, no essencial, uma criação da comunicação social. Da "séria", da menos "séria", da "branco e preta", da "colorida". Praticamente ninguém do sector fica incólume na preciosa ajuda que deu na formatação deste caso sui generis da vida política portuguesa. Se Lopes está hoje onde está, bem o pode agradecer a muitos destes beneméritos que agora o "perseguem". Ou seja, o criador decidiu finalmente que se quer ver livre da criatura. E a criatura revolta-se e estrebucha de acordo com o "cânone" que lhe ensinaram. O que estamos a assistir é ao dramático estertor de uma relação de amor-ódio relativamente antiga. A ver vamos como acaba.

A BABOSEIRA DO DIA

João Gonçalves 13 Fev 05

É de Paulo Portas, o campeão do "direito à vida": Portugal esteve à frente do seu tempo quando aboliu a pena de morte. Portugal voltou a estar à frente do seu tempo quando não permitiu a despenalização do aborto no fim do século XX. Isto foi dito em Coimbra, a tal cidade cujos portões se deviam fechar a Sócrates, de preferência em modo de levantamento popular capitaneado por Nobre Guedes, o "azul-verde" do PP. Portas anda por aí com uma tenda desmontável onde organiza umas sessões de "esclarecimento" para meia dúzia de fiéis. Leva uns papéis e a sua incontornável pose de Estado, e senta-se numas cadeiras altas à volta de uma mesa também alta e debita. Consoante o distrito, assim varia a companhia do líder. Foi pois com Nobre Guedes ao lado que Portas dissertou sobre o aborto. A esta arenga "familiarista" do Portas de agora, preferirei sempre o Paulo da Católica, do princípio dos anos 80, quando era dos poucos a apoiar a alteração da lei.

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