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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

TEM A CERTEZA?

João Gonçalves 7 Fev 05

"Quem gosta de misturar a campanha com o Carnaval pode misturar. Não critico, nem censuro. Eu não gosto, são maneiras de ser". Santana Lopes, na Base Aérea de Monte Real, onde, como primeiro-ministro, foi presidir à assinatura de um protocolo que abre aquelas instalações militares à aviação civil.

O OXÍMORO SOCIALISTA

João Gonçalves 7 Fev 05

De acordo com o "barómetro" do Diário de Notícias, lido na Grande Loja, Cavaco Silva destaca-se nas preferências presidenciais dos portugueses. Mesmo em segundas voltas, Cavaco bate qualquer putativo concorrente. António Guterres, a eterna "esperança" socialista, só se sai bem contra Santana Lopes. Este dado revela uma coisa muito interessante. O PS reclama maioria absoluta e a consequente humilhação eleitoral de Santana Lopes. Ao mesmo tempo que deseja isto, o PS sabe que o cenário que melhor encaixa nos seus propósitos "presidenciais" é ... a continuação de Lopes à frente do PSD. Neste caso, seria mais difícil a Cavaco Silva avançar com uma candidatura. E com Lopes tudo é possível e eventualmente mais fácil para Guterres. Guterres pediu a maioria absoluta para o PS, sabendo que, quanto mais próximo dela o partido estiver, mais longe fica ele de Belém. E a Santana Lopes convém manter-se para "espantar" Cavaco. Salvo o devido respeito por Guterres e por Santana, eles representam respectivamente um passado esquecível e um passivo inesquecível. O PS tem ao seu alcance a maioria absoluta essencialmente por demérito da coligação, deste PSD e de Santana Lopes. Qulquer outro "cálculo" que não passe por consolidar esta perspectiva e por apresentar Sócrates como o único concorrente credível ao cargo de primeiro-ministro, que é o que agora importa, pode ser fatal para aquela ambição.

O TERCEIRO HOMEM

João Gonçalves 7 Fev 05

O primeiro fim-de-semana de campanha introduziu uma nova mitomania. Pela voz sempre esclarecida do dr. Pires de Lima, o dr. Portas adquiriu o estatuto do "terceiro homem". Ou seja, dados os relevantes e patrióticos serviços prestados à nação pelo dr. Portas e pelos magníficos ministros e secretários de Estado que indicou, nestes três anos, para o governo, o líder merece ser- como parece que zumbe na cabeça dos "populares"- candidato a primeiro-ministro. Eu peço desculpa por estragar este cenário idílico, mas não resisto a deixar umas observações. Portas e tutti quanti do PP fazem parte do "pacote" que vai ser avaliado a 20 de Fevereiro. Aliás, e uma vez que Portas que ser o "elo da estabilidade", convém lembrar que, dos três dirigentes que a coligação teve, ele é o que lá está há mais tempo. E, depois, é preciso perguntar ao nosso "terceiro homem" se as "convicções" e a "competência" incluem criaturas como Celeste Cardona, Mariana Cascais ou Teresa Caeiro. Ou o dr. Portas esqueceu-se destes seus extraordinários "valores"? O que nos vale é que o dr. Santana deverá tratar oportunamente esta veleidade apenas risível do dr. Portas. O PP só é "útil" nestas eleições precisamente para ser julgado por igual com o seu parceiro maior. Este "fazer-se de desentendido" para babujar uma migalha de poder no futuro, não dá bem com a "ética" cristã de que o PP se mostra tão insigne guardião. E nós sabemos perfeitamente que eles sabem que nós sabemos quem eles são.

A VANTAGEM

João Gonçalves 7 Fev 05

A campanha eleitoral teve início com um "duelo ao frio" de Castelo Branco. O PSD acolheu-se -bem - no quentinho de um pavilhão municipal. O PS escolheu uma ex-parada de quartel e não demorou - inteligentemente - mais do que uma hora. Estas duas manifestações "expontâneas" ilustram bem o "valor" do exercício. Autocarros, porcos assados "à borla" e outros "mimos" onde se incluíam os indispensáveis ranchos folclóricos, deram cor e motivo essencial às deslocações. Esta frivolidade destinava-se aparentemente à contabilidade das presenças num mesmo território. Politicamente espremidos estes dois comícios valem zero. Alguém terá prestado alguma atenção às "figuras" colhidas aos baús das respectivas histórias partidárias para abrilhantar as festas? Duvido. E se pensarmos que os discursos dos líderes vão consagrar este monocórdico modelo durante quinze dias, as perspectivas negras adensam-se. Muito antes da campanha começar, eu previ uma intensa falta de entusiasmo patriótico para a acompanhar. Na realidade, e depois do que assisti, julgo que o único motivo que pode despertar um vago interesse pela dita, consiste em seguir as metamorfoses de Santana Lopes até ao dia 20. Há ali uma obstinação solitária em chegar a um qualquer lado, seja ele qual for, que merece atenção. Estes 15 dias vão ser os mais longos da vida política de Lopes. Porque tanto podem ser os últimos como os primeiros de qualquer outra coisa e do seu contrário. E é isso que eu verdadeiramente aprecio no homem, não ser trivial nem previsível. Não lhe serve de grande consolação, mas às vezes é uma vantagem. Vamos então ver até onde chega essa vantagem.

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