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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

FALSO JORNALISTA

João Gonçalves 3 Fev 05

Pela primeira vez um jornalista disse na cara de Luís Delgado o que pensava dele; já era tempo de um jornalista se demarcar do asno. (in Jumento)

FALSAS SONDAGENS

João Gonçalves 3 Fev 05

Quem sente que perde (não estou a dizer que perde) investe nos telefonemas para estas falsas sondagens cujo único objectivo é a cadeia televisiva que os patrocina ganhar dinheiro. O estado de necessidade aguça o engenho. (in Abrupto)
Adenda: Ler no Margens de Erro, "Amostras Voluntárias" (actualização de 4.2.05).

O DEBATE

João Gonçalves 3 Fev 05

O "debate", tão pirosa e ansiosamente aguardado, resolveu alguma dúvida aos indecisos levando-os a decidir? Perdoem-me as boas consciências de serviço, mas penso que não. Santana - e nisso Sócrates foi muito claro - tentou falar de um futuro cujo presente ele não soube minimamente tratar. Quanto ao resto, percebemos que decorou uns números e evidenciou a mesma falta de credibilidade que o acompanhará melodramaticamente até ao fim. Por isso, às "flores" de Santana Lopes preferirei sempre outra coisa. Não havendo ganhos nem perdas neste debate "branco", tudo, ou quase tudo, ficou na mesma: Santana como alguém cada vez mais do passado e do "passivo" e Sócrates cada vez mais com a responsabilidade de ter de governar "isto".

DOS INDECISOS

João Gonçalves 3 Fev 05

Ler "Indecisos" no Margens de Erro: "(...) Seja como for, não se esqueçam que, quando as pessoas dizem que não sabem ou ainda não decidiram em quem vão votar - e por muito que seja o esforço feito em "filtrar" previamente os prováveis abstencionistas - uma coisa que algumas delas não terão ainda decidido é se vão votar ou não. Logo, seja qual for a percentagem de indecisos, é quase garantido que ela não será convertida, na sua totalidade, em votos em partidos no dia 20. Aliás, a julgar pelo passado, essa percentagem de indecisos deverá representar, na sua maioria, abstenção. Logo, a noção de que serão os "indecisos" das sondagens a "decidir" estas eleições tem de ser um bocado relativizada..."

A BABOSEIRA DO DIA

João Gonçalves 3 Fev 05

Pertence uma vez mais a Luis Nobre Guedes. A criatura quer que a população de Coimbra impeça a entrada na cidade ao engº Sócrates e promova "um levantamento popular". De uma penada, cai a máscara da "convicção" e dos "valores" do PP, os "certinhos" desta campanha. Esta parvoíce arruma definitivamente o demagógico lance da "seriedade" e da "estabilidade" que o dr. Portas tentou vender. O próprio, aliás, chamou a isto "direito à indignação". Como são os dois ainda membros do governo de Portugal, e um deles ministro de Estado, a coisa não pode ficar apenas pelo registo da comicidade que merece. Santana Lopes está, pois, em boa companhia. Achará porventura o eleitor ainda indeciso que este extraordinário triunvirato merece continuar a exercer cargos de representação pública democrática?

SUBSCREVO

João Gonçalves 3 Fev 05

1. "As opções relativamente à vida sexual não são para mim nem mais difíceis nem mais íntimas do que a opção relativamente a ser crente ou não ser crente", defende António Barreto, para quem "é indiferente que um candidato a primeiro-ministro seja homossexual ou heterossexual".
No entanto, Barreto assume que a sua defesa de que um candidato declare a sua orientação sexual não é um direito seu, nem um dever do candidato e que há, nesta matéria, "uma zona de imperfeições" "O facto de a opinião pública querer saber não obriga um político a dizê-lo", admite.
Mas, apesar da "imperfeição" do território, António Barreto é, claramente, a favor da máxima transparência mesmo neste terreno. O sociólogo admite que um político que tenha uma vida religiosa, financeira ou sexual oculta "é passível de chantagens, pressões indevidas, gestos politicamente menos racionais do que pessoas que não têm uma vida clandestina". Enfatiza não estar a "falar do ponto de vista moral, mas do ponto de vista político". Ou seja, segundo Barreto, um político "tem o direito de defender a sua privacidade, mas corre o risco de 'pagar as favas'" - ficar mais "frágil do ponto de vista político".


2. "Os moralistas têm vida curta entre nós; não só são gente de mau aspecto como se trata de pessoas cheias de inveja. Os portugueses são sarcásticos, quando se trata de moral - de Gil Vicente a Eça, há uma larga tradição de textos sobre o assunto, mostrando que a moral é matéria para consumo estritamente privado. Na verdade, padres, juízes, beatas envilecidas, fuinhas de toda a espécie, são pouco populares entre nós. É uma vantagem enorme que temos de agradecer ao destino. As pessoas sabem que há uma vida privada e que há uma vida pública; e sabem que, desde que a vida privada não assalte a vida pública, podem dormir descansadas. Os portugueses não apenas sabem isso, como também, porque são manhosos, percebem que a tentativa de moralizar não lhes vai ser útil nem agradável. Os portugueses gostam de desafiar a moral. E apreciam os gestos de gente livre e que não admite interferências do juízo moral dominante". (Francisco José Viegas, A vida privada, no Jornal de Notícias)

FAUNIA E COLEMAN

João Gonçalves 3 Fev 05



Agora, por breves instantes, uma coisa completamente diferente. Descubro neste blogue, Esplanar, pela mão de Rui Branco, e nesta "posta" sobre um filme ("A Culpa Humana") e sobre um livro ("A Mancha Humana"), parte da terrível rasura que ambos nos contam, embora sempre a benefício da magnífica prosa de Philip Roth. Algo que a película só de passagem conseguiu captar, sobretudo graças à composição da personagem por Nicole Kidman.


Quando, no livro, ela lhe diz que precisa de homens muito mais velhos do que ele, alguém com cem anos, talvez entrevado numa cadeira de rodas, temos a confirmação que ela sabe coisas sobre o ser humano, que há ali uma sabedoria antiga a falar. E compreendemo-los: eles são iguais e ela é tão velha como ele. No filme, nessa mesma cena (a cena em que ela, recordo, dança para ele), achamos que ela diz isso só para fazê-lo sentir-se melhor com a idade – e lamentamo-los. Eles já não estão de igual para igual, nem já velhos por igual; de repente, são apenas a jovem que se meneia em frente do velho professor movido a viagra, a quem lubrifica o ego com uma frase de consolação barata e triste. No livro, ela diz-lhe «és tu que és novo para mim»; no filme, ela diz-lhe «és um velho». É como se Faunia tivesse espetado uma estaca no coração do vampiro e este tivesse envelhecido, apodrecido, de um momento para o outro. A diferença entre o livro e o filme está um bocado nisto.

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