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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O VELHO "TEMPO NOVO"

João Gonçalves 21 Jan 05

Santana Lopes apresentou o programa eleitoral do "seu" PSD. Falou do futuro como se não fosse responsável por este obscuro presente. Dirigiu-se-nos como um desbravador de "terras prometidas" quando nem sequer conseguiu dar conta de um recado a termo certo. Falou de "contratos" e de "garantias" quando é o último dos últimos em quem podemos tranquilamente confiar. Puseram-lhe à frente um papel onde vinha escrita uma nova ventura, "o choque de gestão". Quem não soube gerir e dar confiança, pode agora clamar semelhante coisa para uma nova legislatura? A inquietação incrédula, estampada nos rostos dos devotos que assistiam ao exercício, fala por si. Lopes insiste na tecla do "tempo novo" quando, na realidade, nestas eleições ele personifica o falhanço absoluto dessa miragem sem grande sentido. É, pois, preciso perguntar claramente aos portugueses: querem mais deste velho "tempo novo" que o dr. Santana Lopes vem semeando desde Julho último?

QUEM DIRIA!

João Gonçalves 21 Jan 05



Desprovido de "ideias" para a campanha, suspeito que Santana Lopes esteja a ser aconselhado pelos seus amigos brasileiros no sentido de explorar à exaustão o "fait-divers". No governo, seguramente a mesma "via tropical" aconselha a que se anuncie diariamente um pedaço de céu. Percebe-se que o objectivo - associado com demagogia ao tropismo do "país que não pode parar" - é deixar o território minado para quem vier a seguir. Alinhar no "fait-divers" é alimentar este circo. E aí ganha Lopes. Chega a ser confrangedor ouvir um primeiro-ministro neste registo, mas, enfim, trata-se "deste" primeiro-ministro. Lopes ainda não percebeu que o país não liga minimamente ao seu estudado exercício do "coitadinho" aplicado. Quem percebeu tudo isto rapidamente, e se pôs discretamente "ao largo", foi Paulo Portas. Fez uma coisa que merece elogio. Apresentou um "elenco governativo" com alguns créditos. É um bom princípio pôr rostos aos programas. A maior parte das vezes nunca se chega a entender muito bem as razões de certas escolhas, encerradas as eleições e composto um governo. O mais natural é que nenhuma daquelas catorze almas chegue ao executivo depois de Fevereiro. Porém, entre isto e os "jogos florais" em que todos acabam sempre a perder qualquer coisa, eu prefiro este modesto empenho cívico de um pequeno partido. Quem diria!

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