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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

COMME "ILS DISENT"...

João Gonçalves 7 Jan 05

J'habite seul avec maman
Dans un très vieil appartement rue Sarasate
J'ai pour me tenir compagnie
Une tortue deux canaris et une chatte.
Pour laisser maman reposer
Très souvent je fais le marché et la cuisine
Je range, je lave, j'essuie,
A l'occasion je pique aussi à la machine.
Le travail ne me fait pas peur
Je suis un peu décorateur un peu styliste
Mais mon vrai métier c'est la nuit.
Je l'exerce en travesti, je suis artiste.
J'ai un numéro très spécial
Qui finit en nu intégral après strip-tease,
Et dans la salle je vois que
Les mâles n'en croient pas leurs yeux.
Je suis un homo comme ils disent.

Vers les trois heures du matin
On va manger entre copains de tous les sexes
Dans un quelconque bar-tabac
Et là on s'en donne à cœur joie et sans complexe
On déballe des vérités
Sur des gens qu'on a dans le nez, on les lapide.
Mais on fait ça avec humour
Enrobé dans des calembours mouillés d'acide
On rencontre des attardés
Qui pour épater leurs tablées marchent et ondulent
Singeant ce qu'ils croient être nous
Et se couvrent, les pauvres fous, de ridicule
Ça gesticule et parle fort.
Ça joue les divas, les ténors de la bêtise.
Moi les lazzi, les quolibets
Me laissent froid puisque c'est vrai.
Je suis un homo comme ils disent.

A l'heure où naît un jour nouveau
Je rentre retrouver mon lot de solitude.
J'ôte mes cils et mes cheveux
Comme un pauvre clown malheureux de lassitude.
Je me couche mais ne dors pas
Je pense à mes amours sans joie si dérisoires.
A ce garçon beau comme un Dieu
Qui sans rien faire a mis le feu à ma mémoire.
Ma bouche n'osera jamais
Lui avouer mon doux secret mon tendre drame
Car l'objet de tous mes tourments
Passe le plus clair de son temps au lit des femmes
Nul n'a le droit en vérité
De me blâmer de me juger et je précise
Que c'est bien la nature qui
Est seule responsable si
Je suis un "homme oh" comme ils disent.


Charles Aznavour, 1973

AS LISTAS

João Gonçalves 7 Jan 05

Aos poucos, os partidos vão "fechando" as listas de candidatos a deputados. O carácter "instantâneo" e voraz da actual vida política obrigou o país a acompanhar a par e passo este "felliniano" processo. Tratou-se de um remake meio sério, meio light, da "quinta das celebridades" ou, em versão sofisticada, do extinto "big brother". Quem costuma encher a boca com preocupações acerca do "crescente desprestígio da instituição parlamentar", ao olhar para o "processo" e para o resultado do "processo", deve ter tido vontade de enfiar uma rolha. Toda a misantropia anónima própria da "vida partidária", toda a cegueira acéfala dos aparelhos, toda a miséria das "secções", todos os "galos" e "galinhos" das "federações", toda a corja mais ínfima de "partido-dependentes", todos se puseram a jeito do olhar da direcção e dos líderes para constar. No PS há a bizarria da "quota" do secretário-geral para temperar os excessos ou para os piorar. No PSD, há Santana Lopes e chega. Nesta altura do campeonato, eu francamente já esperava ideias. Sócrates bem pode aparecer em conferências bem arrumadas para falar da economia e das finanças. Ninguém o ouve. O que representam estas extravagâncias quando comparadas com o drama pessoal do sr. Carranca ou do sr. Asdrúbal, putativos candidatos a deputados em lugares desprezíveis? Quem não compreende os estados de alma daqueles abnegados militantes que viram os lugares cimeiros ocupados por "independentes" ou por inimigos da paróquia? Na verdade, são estes "problemas" e são estas "angústias" que prevalecem. Se não fossem preocupantes por aquilo que revelam, seriam cómicas. E são preocupantes por desnudarem, em todo o seu esplendor, o nível de mediocridade atingido pelas nomenclaturas dos principais partidos, justamente aqueles em que temos de votar para escolher um governo. Este folclore das listas, das entradas e das saídas, do "sobe e desce", do "fica mas pouco", merecem do cidadão comum um esgar. Como é que alguém de "bem", no seu inteiro juízo, e com a lucidez intacta, pode acreditar nisto? Os que, como eu, defendem ferozmente a democracia, devem sentir-se apoucados com este grotesco e desviante espectáculo. Salvo honrosas excepções, a generalidade das listas dos partidos que efectivamente "contam", pouco mais merece que o desprezo dos cidadãos. Felizmente para eles, praticamente ninguém se lembra que se trata de eleições legislativas. A proeminência na eleição da escolha do chefe do governo, ajuda a esconder esta calamidade. Uma calamidade que se agrava quando os do "meio" e do "fim" saltarem para cima por os outros terem ido para o governo... Nem quero imaginar o Parlamento que se prepara para a próxima legislatura, onde o PSD fez listas para perder clamorosamente. Será que pior era impossível?


Adenda: Vale a pena ler o editorial de José Manuel Fernandes no Público de sexta-feira sobre este assunto. Está lá tudo dito.

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