Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A ENTIDADE

João Gonçalves 31 Jan 05

Portugal tem destas aberrações. Na posse da "Entidade das Contas e Financiamentos Políticos", que não tem condições para aplicar a sua meritória função ao próximo acto eleitoral, o amabilíssimo juiz presidente do Tribunal Constitucional, dr. Artur Maurício, disse que "há, designadamente, estratégias por definir, bases de dados por criar, regulamentos por fazer e por estruturar os outros procedimentos imprescindíveis para o início de uma função desta natureza". Com o devido e imenso respeito, inclusivé pessoal, por que raio então é que lhe deu posse?

O ÉTICO DO CHOQUE

João Gonçalves 31 Jan 05

"A sociedade portuguesa precisa de valorizar referências, há uma espécie de relativismo ético que não abona ao estado do país", disse o dr. Portas na apresentação do "programa" do PP. E acrescentou que o que nós precisamos é de um "choque de valores". No que me toca, dispenso-me imediatamente de "chocar" com o dr. Portas, uma espécie de duplo moralista do dr. Louçã, só que ao contrário.

A MELHOR MANEIRA...

João Gonçalves 31 Jan 05

... de começar mais uma semana indiferente, é ter de volta o Paulo Gorjão e ler este livro de George Steiner, a que darei oportunamente a devida atenção.

As Lições dos Mestres, de George Steiner (Gradiva)

DA SARJETA

João Gonçalves 30 Jan 05

Como previ há dias, Santana Lopes já está confortavelmente instalado na sarjeta. Ontem, rodeado de cerca de mil minhotas, Lopes não resistiu ao seu impulso maior, o de vedeta de "revistas do coração". Apesar da localização do evento, a coisa ressumou "américa latina" por todos os poros. Só faltaram os fadistas marialvas do PPM para o ramalhete ser perfeito. Uma "doméstica" não resistiu a expôr a "natureza sedutora" daquele homem. E uma "funcionária pública" jurou que "ele ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras". Terminou, espera-se que a pensar no marido, dizendo que "bem haja os homens que amam as mulheres". Lopes, babado e inspirado por aquela corte de indigentes, "avisou" que "não quer fazer chicana política". Mas lá foi deixando cair que "estes colos sabem bem", presumivelmente os das minhotas, e que "o outro candidato tem outros colos". Esta nota de tão intenso bom gosto diz tudo acerca do carácter do personagem. Estaria ele porventura a lembrar-se do "colo" do dr. Portas sem o qual não estaria onde presentemente está? Sabemos o que a sua campanha, não por acaso "tropical", anda por aí a espalhar miseravelmente. Sabemos que, na vertigem do afundamento anunciado, vai valer tudo. Com uma clareza cristalina, excitada pelo ambiente cobarde de aviário em que se encontrava, a natureza reles do argumentário populista de Santana Lopes veio naturalmente à superfície. É para isto que os tolos e alguns comentadores querem os "debates"? Acham mesmo que há alguma coisa séria na cabeça do ainda primeiro-ministro para "debater"?


LER OS OUTROS: O artigo de Ana Sá Lopes no Público de domingo, "Este homem já sabem quem é", e De cabeça perdida, de Nicolau Santos, no Expresso online: "Para a semana será lançado um livro com os textos sobre futebol que publicava no jornal «A Bola». É mais um toque de classe na campanha do nosso primeiro-ministro". Actualizado a 31 de Janeiro: ler "A crise de representação-3" no Abrupto.

FORA DA AGENDA

João Gonçalves 30 Jan 05

As questões do casamento entre homossexuais e da adopção de crianças por homossexuais, não constituem, a meu ver, uma prioridade política. José Sócrates fez o favor de explicar isso bem em duas palavras. De qualquer forma, o argumento da "estabilidade" e da "normalidade" para condenar essas hipóteses, são diariamente contrariadas nos tribunais de família e de menores. Que tipo de casais e que crianças filhas de que casais dão trabalho a esses tribunais? O Random Precision fez há dias duas interessantes reflexões sobre isto em "O casamento" e "A Adopção".

CONTRA

João Gonçalves 29 Jan 05

.... no Alerta Amarelo.




A ANGÚSTIA DA INFLUÊNCIA

João Gonçalves 29 Jan 05

Ler "O Dilema" no Causa Nossa. Vital Moreira, partindo da semi-angústia partidária de Pacheco Pereira (que não é homem para "estados de alma"), elabora uma interessante ponderação acerca dos militantes do PSD. Como é que um militante do PSD que não acompanha a deriva "santanista" deve proceder nas eleições de 20 de Fevereiro? Só posso falar por mim e num contexto completamente diverso. Em 1985, eu ainda estava longe de ser o empedernido "cavaquista" em que me tornei. Apoiava Mário Soares para Belém e desconfiava adolescentemente da figura austera recém chegada ao partido. Assisti a uma única acção de campanha, na Alameda das Universidades, e foi a custo que aceitei colocar um auto-colante de Cavaco. No dia das eleições, encaminhei-me para a escola onde voto sem saber o que ia fazer. Em não sei quantos actos eleitorais em que já participei, foi essa a única vez em que só no momento da "cruzinha" me decidi. E decidi-me pelo PSD. Se ainda fosse militante do partido, teria seguramente hoje menos "angústias" do que nesse ano remoto. Santana Lopes não representa uma interrogação. É, infelizmente, uma má certeza. Nisso, os brasileiros da sua campanha acertaram no último outdoor. "Este, sim, sabe quem é", diz o cartaz, referindo-se a Lopes, num registo "pimba" de "por amor a Portugal"! É exactamente por saberem "quem ele é" que muitos militantes e eleitores do PSD "não respondem" nas sondagens, engrossando as fileiras dos "indecisos" e dos potenciais "abstencionistas". Mas não dizem que votam diferente. O único líder com perfil social-democrata que concorre às eleições de Fevereiro, José Sócrates, deve meditar nisto. A maioria absoluta, tão incerta quanto precária, vai decidir-se apenas nesse caminho solitário para as assembleias de voto sob a "angústia da influência".

A BABOSEIRA DO DIA

João Gonçalves 28 Jan 05

Pertence a Luis Nobre Guedes, o reciclado "verde" do PP. Numa entrevista ao Diário de Notícias, diz esta coisa extraordinária, sem se rir, presumo: "Eu acho que o dr. Paulo Portas, pelo perfil que tem, pela sua cultura, pelo mundo que conhece, podia ser o nosso [André] Malraux."

REALISMO E RESPONSABILIDADE

João Gonçalves 28 Jan 05

Antes de avançar, esclareço já que não morro de amores por Freitas do Amaral. Não simpatizo com a sua pusilanimidade política, a razão maior por que nunca me pareceu que ele fosse um bom candidato presidencial. Nem no passado, nem agora. Há três anos, ele e uns bons milhares de portugueses, apostaram em Durão Barroso para sair do célebre "pântano" do eng. º Guterres. Ele e esses bons milhares de portugueses entendem hoje, e bem, que Santana Lopes não consegue resolver qualquer problema sério do país. Aliás, ele é, em grande medida, o próprio problema. Como diria o dr. Portas, era o que mais faltava que, perante o descalabro geral destes últimos três anos, aqueles a quem ainda sobra um resquício de lucidez não mudassem de opinião e não apelassem ao país para mudar também. As reacções patéticas ao artigo de Freitas do Amaral na revista Visão, apenas espelham o estalinismo intelectual que ocupa grande parte das mentes dos nossos queridos "neo-liberais" da "nova direita". Os indecisos e os indiferentes, a mais importante evidência que ninguém quer ver em todas as sondagens , não se convencem à canelada, com bravatas idiotas ou com estéreis promessas de céu permanentemente azul. O artigo de Freitas do Amaral é simplesmente um alerta sensato e realista, definindo uma responsabilidade. E daqui até ao dia 20 de Fevereiro, é só disto que precisamos, de realismo e de responsabilidade.

LER

João Gonçalves 28 Jan 05

... este estudo sobre os "blogues", de João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior: Blogues políticos em Portugal: O dispositivo criou novos actores?

Pág. 1/8

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor