Quarta-feira, 16.05.12

Foi V.Exa. que pediu uma PPP?

Em relação às famosas parcerias público-privadas parece que se prepara uma "comissão de inquérito parlamentar". E parece que se deseja ouvir uma multidão "multidisciplinar" como é próprio do exercício. É bonito. Mas entretanto as PPP's não se comovem com frioleiras mais ou menos simbólicas e relativamente "familiares". Continuam a custar dinheiro. E muito.

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A visão curta e provinciana da Senhora

«Na Europa é instrutivo verificar que as facilidades do euro deslumbraram demais, sobretudo países passados quase directamente de longas ditaduras às liberdades e responsabilidades da democracia. Até nesses, porém, há tradições que tornam muito improvável o triunfo de populismos anti-democráticos. O problema não está aí, mas na Alemanha de Merkel cuja visão curta e provinciana não dá para a chefia que os outros, França à frente, lhe concedem numa espécie de sonambulismo colectivo. Tal parece começar a mudar – até na Alemanha - e é um alívio. O major David dos Santos que dava matemática no Valsassina dizia-nos às vezes: "Ó Senhor, é bom ser burro, mas não tanto!" Lembrei-me dele no rescaldo de alguns Conselhos Europeus do último par de anos.»


José Cutileiro, Jornal de Negócios

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Coisas sérias



(Via Expresso)
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Terça-feira, 15.05.12

Quem muito viu

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;

 

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi

 

não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.

 

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.

 

Jorge de Sena

Nova vida para a Europa?

Os novos "sacerdotes" e a verdade

 

Permanece útil, independentemente do contexto, a leitura do livro da foto. Aquando da sua publicação, Medeiros Ferreira escreveu no Diário de Notícias de Bettencourt Resendes que «a comunicação social e os jornalistas ocupam nos nosso dias o espaço de influência sobre a opinião outrora exercida pela Igreja e seus sacerdotes [e despudoradas sacerdotisas]. Por isso a nossa sociedade é uma sociedade de comunicação sem réplica assegurada. As tiranias começam assim.» Isto já seria suficientemente grave para que alguns se demarcassem dos que se comprazem em jogar a honra das pessoas aos cães, para citar mais um socialista, F. Mitterrand. E para que os que têm responsabilidades políticas, v.g. parlamentares, não fizesssem das "homilias" desses "sacerdotes" guiões das suas pífias tentativas de intimidação alheia.

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Segunda-feira, 14.05.12

Habitue-se

Ainda não tinha ocorrido à boa da luterana que uma derrota é sempre amarga e dolorosa.

Domingo, 13.05.12

Um país ao contrário

«A grande manifestação deste fim de semana em Portugal é a que ocorre em Fátima. Alguma imprensa portuguesa, manifestamente desiludida com o fracasso da operação «indignados» por estas bandas, opta por dar maior destaque a uma manifestação qualquer que ocorreu no país vizinho.»


Mr. Brown, Os Comediantes

Sábado, 12.05.12

Não há grandes pessoas

Logo nas primeiras frases das Antimemórias, André Malraux conta que, ao falar com o padre de Drôme (antigo camarada da resistência), perguntou o que é que a confissão lhe ensinou acerca dos homens. O antigo camarada respondeu-lhe: «Sabe, a confissão não nos traz nada porque a partir do momento em que nos confessamos, tornamo-nos outro, há a Graça. Para além disso as pessoas são muito mais infelizes do que imaginamos e, sobretudo, no fundo não há grandes pessoas.» Não há, de facto. Fátima é um sobressalto permanente e uma esperança teimosa num mundo em que não há grandes pessoas. Não por causa dos "milagres" mas apesar deles. Há dois anos o Papa estava por esta altura em Fátima como peregrino. O peregrino é a imagem daquele que sabe que não há grandes pessoas e que prefere a esperança contra toda a esperança. Em certo sentido, o peregrino é aquele que comprendeu perfeitamente a mensagem do Senhor: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida.» A começar por ele, o Papa ajoelhado diante da imagem de Fátima como símbolo dessa vitória sobre o não haver grandes pessoas. Parece, assim de repente, uma derrota. Uma imensa derrota. Todavia, como Bento XVI  disse nessa ocasião, «ao meditar os mistérios luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das «Ave Marias», contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança.»

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Mau sinal

Leio no Correio da Manhã que Futre se apresta a passar da tvi para a RTP a troco de uma chamada "proposta irrecusável" (o jornal chama-lhe "aliciante"). Leio e não acredito. Se tiver de acreditar, é um mau sinal. E há um conjunto de pessoas que sabe perfeitamente porquê.

 

Adenda: Na recente cimeira ibérica julgo que o tema "televisão pública" não foi abordado. Esta semana, porém, um jornal espanhol dava conta que o presidente do governo vizinho, e passo a citar no original, «prefiere un administrador que ejecute el recorte de 204 millones en el presupuesto de RTVE .» Ou seja, procura-se um gestor que efectivamente faça os cortes previstos pelo governo para a RTVE. Ora "cortar" quer dizer  reduzir custos operacionais e financeiros e não andar a "navegar à vista". Quem não é capaz de fazer isto, deve dar lugar a outros que o façam sem tergiversações. O que "cortar" em nenhuma parte do mundo quer dizer é aumentar a despesa pela via de fornecimentos e de prestações de serviços externos por valores como os anunciados na notícia do Correio da Manhã. Quem não entender isto, meta rapidamente explicador.

Portugal dos Pequeninos

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